“Um Sertanejo em Brasília”

Nas eleições de 1958, Horácio de Matos Júnior, foi eleito vereador para a Câmara Municipal de Piatã. Em 1963 foi eleito para deputado estadual. Em 1974, com o slogan “Um Sertanejo em Brasília”, destacando suas raízes na região da chapada Diamantina e identificação direta com o eleitorado do interior baiano, elegeu-se para deputado federal. Em 1986, assumiu o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia – TCE.

No início dos anos 50, meu pai, João Hipólito Rodrigues, foi atingido por uma forte crise reumática que o deixou imobilizado na cama, em Catolés. Precisando de socorro médico, ele enviou uma solicitação a Alfredo Soares, prefeito de Piatã, pedindo ajuda. Seu Alfredo analisou  uma solução para o deslocamento de meu pai até Piatã. A solução seria improvisar maqueiros para carregarem a maca, já que não havia estrada carroçável. No município, o único automóvel era o Jeep de Horácio, que, além de tudo, era um ferrenho adversário político. A situação chegou ao conhecimento de Horácio, que,  sem hesitar, colocou-se à disposição para ele mesmo conduzir  o Jeep ir até onde fosse possível  encontrar os maqueiros. Combinaram, e,  em um  verdadeiro rally,  Horácio conduziu o Jeep até o lugar chamado Rodeador,  de onde conduziu meu pai até Piatã.

No início do ano de 1969, José Oliveira Alves, conhecido em Catolés como Zé de Diolino ou Zé de ADÉLIA, e em Piatá Zé da Loja, encontrava-se internado no Hospital Espanhol em Salvador, com a saúde muito fragilizada. Eu e Valdete filha de Enedino, que era colaboradora de D. Magnólia, esposa de Horácio, reversávamos no acompanhamento de Zé. Numa certa manhã, o médico diarista, após o exame rotineiro, dirigiu-se a mim e perguntou se eu era filho de Zé. Respondi que era primo em 2º grau e sobrinho por afinidade. Ele sem meias palavras me disse: “o estado do paciente é terminal. Sugiro que você comunique aos familiares dele e peça para levá-lo para casa onde deve receber cuidados paliativos”. Fiz a comunicação, e os filhos de Zé contataram com Horácio,  que se encarregou de,  efetivamente,  fretar o   táxi aéreo. Combinado dia e hora, com antecedência necessária, Horácio chegou no Hospital conduzindo o veículo Chevrolet Impala, bancos de couro claro que realçava ainda mais o luxuosíssimo veículo. Como Zé sofria  de um quadro gastrointestinal totalmente descontrolado, eu ficava receoso de pegar um táxi com ele e ocorrer um episódio de incontinência fecal no veículo . Ao expor a situação para Horácio, ela disse:  “nós iremos no meu carro e,  se ocorrer incontinência, mando lavar”, Do Hospital partimos para o antigo aeroclube onde hoje funciona o Centro de Convenções Municipal e funcionava como campo de pouso e decolagem. Ainda não existia aeroporto. Valdete e Zé embarcaram e eu e Horácio fomos para a Assembleia Legislativa que funcionava em alguns andares do Edifício Ranulfo Oliveira, entre as  Ruas Guedes de Brito e José Gonçalves, Centro Histórico de Salvador.

Certa feita eu viajava de carona com Horácio para Piatã e na Br-242, Horácio disse: “vamos passar em Lençóis para eu ver um diamante com Gringo e a gente comer a melhor moqueca de traíra, na Pensão de  Otaviano Viana, irmão de Nezinho”. Passamos em Lençois e realmente comemos a saborosíssima moqueca  de traíra, que eu ainda não tinha degustado e provavelmente não degustarei, igual.

Em 1982, eu e meu colega delegado, Gilberto Brito, fomos para Brasília participarmos do Curso de Reciclagem na Academia da Polícia Civil do DF. Frequentemente, na tarde e noite, Horácio nos apanhava no alojamento, no Parque Elmo Serejo  Farias e nos conduzia para o Macaxeira Restaurante onde ouvíamos show de música ao vivo e degustávamos petiscos nordestino, principalmente car do sol com macaxeira. E durante o dia quando precisávamos, Carlos era o nosso condutor e cicerone. 

Como se depreende da minha exposição de fatos, enquanto ocupante dos cargos eletivos, Horácio separou sua índole altruísta dos interesses políticos. Portanto autêntico  homem de Estado.

Requiescat in pace – Descanse em paz, Horácio.


O Tempo da Política e a Sabedoria de Saber Esperar: Uma reflexão sobre alternância de poder, sucessão política e o respeito à vontade popular

O Papel do Ex-Prefeito na Democracia Moderna — O Tempo da Política e a Sabedoria de Saber Esperar.

Uma das maiores virtudes da vida pública não é apenas saber vencer uma eleição. É saber conviver com os resultados dela.

A democracia funciona por ciclos. O povo escolhe seus representantes, concede um mandato e espera que eles tenham condições de governar. Parece simples, mas nem sempre é assim. Em muitos municípios, a disputa eleitoral termina oficialmente nas urnas, mas continua nos bastidores da política.

Quando a oposição vence uma eleição, geralmente existe uma compreensão natural de que um novo grupo assumirá o comando da administração. Ainda que existam divergências, cada lado passa a desempenhar seu papel. O governo governa e a oposição fiscaliza.

O mais curioso é que os maiores conflitos nem sempre acontecem quando há mudança de grupo político. Muitas vezes, eles surgem exatamente quando a sucessão ocorre dentro da mesma base.

O prefeito deixa o cargo após oito anos de mandato, apoia um sucessor, ajuda na eleição e espera que determinadas pessoas continuem ocupando espaços, que determinados projetos tenham prioridade ou que determinadas lideranças mantenham a mesma influência. Mas a realidade é que, a partir da posse, existe um novo governo.

Quem assume a prefeitura recebe do povo não apenas um cargo, mas a responsabilidade de governar. Tem o direito e o dever de montar sua equipe, estabelecer prioridades e imprimir seu próprio estilo de gestão. Afinal, será ele quem responderá pelos acertos e pelos erros da administração.

É nesse momento que a maturidade política faz a diferença.

Nem sempre é fácil para quem exerceu o poder durante muitos anos compreender que chegou a hora de ocupar outro papel. O ex-prefeito continua sendo uma liderança importante, continua tendo experiência e conhecimento acumulados, mas precisa reconhecer que o protagonismo administrativo pertence ao novo gestor.

Quando isso não acontece, a política entra em campanha permanente. O primeiro ano de governo já se transforma em discussão sobre a próxima eleição. Divergências administrativas passam a ser tratadas como disputas eleitorais. Questões locais ganham proporções maiores do que deveriam.

Quem perde com isso é a população.

Os municípios precisam de estabilidade para executar projetos, atrair investimentos, melhorar os serviços públicos e planejar o futuro. Uma gestão precisa de tempo para mostrar seus resultados. Da mesma forma que ninguém pode ser considerado um grande gestor nos primeiros meses de governo, também não é razoável condenar uma administração antes que ela tenha a oportunidade de desenvolver seu trabalho.

Como ex-prefeito, aprendi que existe um tempo para liderar e um tempo para apoiar. Existe o tempo de decidir e o tempo de aconselhar. Existe o tempo de conduzir e o tempo de observar.

A boa política não é construída apenas pela força das lideranças. Ela é construída pela capacidade de compreender que os projetos são maiores do que os indivíduos. Mandatos passam. Cargos passam. Mas os interesses da população permanecem.

Talvez um dos maiores desafios da democracia moderna seja exatamente esse: ensinar que alternância de poder não significa ruptura, e que continuidade não significa tutela. Cada gestor deve ter a liberdade de exercer o mandato que recebeu das urnas, enquanto aqueles que já cumpriram sua missão continuam contribuindo com experiência, diálogo e equilíbrio.

No final das contas, os verdadeiros líderes não são aqueles que nunca saem de cena. São aqueles que sabem a hora de conduzir, a hora de apoiar e, principalmente, a hora de esperar.

Porque a democracia também exige paciência. E a paciência é uma das formas mais nobres de respeito à vontade popular.


Da capital ao sertão: uma Bahia que continua avançando

Governar é muito mais do que fazer discurso. É ouvir, planejar, investir e ter compromisso com quem mais precisa. Na Bahia, os governos liderados por Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues construíram uma linha de continuidade que mudou a realidade do estado, principalmente do interior.

Durante muitos anos, o sonho de milhares de baianos era simplesmente ter uma estrada asfaltada ligando uma cidade à outra. Esse avanço começou a ganhar força nos governos do PT. Depois vieram novos investimentos em saúde, educação, abastecimento de água, universidades, hospitais regionais e infraestrutura. Hoje, a Bahia vive uma nova etapa: além de ligar cidades, o governo começa a pavimentar acessos para distritos e povoados, aproximando comunidades, fortalecendo a economia local e melhorando a vida do homem e da mulher do campo.

Jerônimo Rodrigues representa justamente essa Bahia do interior. Filho do sertão, agrônomo, homem simples, conhece a realidade do povo porque viveu ela. Sabe o que significa estrada ruim, dificuldade de acesso à saúde, deslocamento de estudantes e produtores rurais. Por isso, tem priorizado ações regionalizadas, descentralizando serviços e fortalecendo os territórios.

Mas os avanços não ficaram apenas no interior. Salvador também viveu grandes transformações estruturantes nos últimos anos, como a implantação do metrô, a modernização da mobilidade urbana e agora o avanço do VLT da Cidade Baixa, obra aguardada há décadas e que vai melhorar a vida de milhares de pessoas na capital.

O mesmo acontece com a Ponte Salvador-Itaparica, um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil e um vetor de desenvolvimento para toda a região do Recôncavo e Baixo Sul. Durante muito tempo a oposição ironizou, dizendo que era apenas promessa. Mas os fatos começam a mostrar outra realidade: o primeiro navio com equipamentos para a plataforma provisória já chegou, marcando o avanço concreto das obras preparatórias desse empreendimento histórico, que vai gerar empregos, turismo, desenvolvimento econômico e integração regional.

Muitas vezes a oposição critica convênios, anúncios e ordens de serviço, dizendo que “o governo só promete”. Mas quem conhece gestão pública sabe que obra pública tem etapas: projeto, licitação, convênio, liberação de recursos e execução. Nenhuma grande transformação acontece da noite para o dia. Governar exige responsabilidade, planejamento e compromisso.

É importante lembrar também que muitos desafios econômicos não são exclusivos da Bahia nem do Brasil. O mundo inteiro enfrenta oscilações provocadas por guerras, crises internacionais, petróleo, juros, inflação e disputas comerciais entre grandes potências. O Brasil, inclusive, enfrentou recentemente pressões e barreiras econômicas externas, como tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos estratégicos. Ainda assim, o governo federal tem mantido o equilíbrio institucional, retomado obras, ampliado investimentos, gerado empregos e ajudado estados como a Bahia a continuarem avançando.

A segurança pública, por exemplo, é um desafio nacional, presente em praticamente todos os estados brasileiros, independentemente do partido que governa. Ainda assim, a Bahia segue realizando concursos, ampliando efetivos, investindo em inteligência, equipamentos e estrutura para enfrentar o problema.

Ao mesmo tempo, o governo segue entregando resultados concretos: hospitais regionais, escolas em tempo integral, obras hídricas, estradas, policlínicas e investimentos sociais que alcançam principalmente quem mais precisa.

Na política, é comum existir discurso e crítica de todos os lados. Mas governar de verdade exige trabalho contínuo, responsabilidade, investimento e capacidade de transformar projetos em realidade. O povo da Bahia sabe reconhecer quem conhece sua realidade e trabalha de verdade pelo interior e pela população mais humilde.


Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026
Igrejas e praças das 4 cidades | Fotos: Reprodução / Google Street View

Conhecida como a capital da cachaça baianaAbaíra não ficou “de ressaca” quando o assunto foi qualidade de vida. O município liderou o ranking de desenvolvimento social do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 na Bahia e puxou uma lista — curta — de cidades baianas acima da média nacional. Além de Abaíra, apenas Lauro de FreitasItiruçu Valente superaram a média brasileira de 63,40 no levantamento divulgado nesta quarta-feira (20). 

Vale explicar que os números são altos em comparação à média da Bahia. Em uma análise geral, o estado ocupou uma das piores posições nacionais e atingiu a média de 58,72, ficando à frente somente de cinco estados: Rondônia, Amapá, Acre, Maranhão e Pará.

O BN teve acesso aos dados do índice geral do IPS em 2026. Ao todo, 115 cidades estão acima da média baiana, ou seja, 27,58% do estado atingiu uma média qualidade de vida. Contudo, esses números apresentam uma série histórica de desigualdades nas três categorias gerais avaliadas pelo levantamento, que foca em como a população recebe os investimentos, em contraponto aos valores em si.

A nota geral é resultado de uma média de três indicadores avaliados no índice: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.  Esses indicadores usam um total de 57 bases de dados de fontes oficiais e de institutos de pesquisa.

Alguns exemplos são o Ministério da Saúde, Ministério da Cidadania, Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), MapBiomas, Anatel, CadÚnico, entre outras.

As 10 melhores cidades no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia são:

1º Abaíra, com índice de 65,14;

2º Lauro de Freitas, com 63,76;

3º Valente, com 63,57;

4º Itiruçu, com 63,46;

5º Tanque Novo, com 63,16;

 Presidente Dutra, com 62,88;

7º Madre de Deus, com 62,69;

8º Catu, com 62,58;

9º Barreiras, com 62,49;

10º Ibiassucê, com 62,40.

As cidades com os piores desempenhos no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia foram Camamu, com 48,39, e Taperoá, com 49,54. Veja o ranking das 10 menores notas do estado:

417º Camamu, com 48,39;

416º Taperoá, com 49,54;

415º Pedro Alexandre, com 50,14;

414º Pilão Arcado, com 50,16;

413º Wenceslau Guimarães, com 50,17;

412º Prado, com 50,18;

411º Una, com 50,40;

410º Belmonte, com 50,55;

409º Pau Brasil, com 50,56;

408º Itanagra, com 51,29.

 

417º Camamu, com 48,39;

416º Taperoá, com 49,54;

415º Pedro Alexandre, com 50,14;

414º Pilão Arcado, com 50,16;

413º Wenceslau Guimarães, com 50,17;

412º Prado, com 50,18;

411º Una, com 50,40;

410º Belmonte, com 50,55;

409º Pau Brasil, com 50,56;

408º Itanagra, com 51,29.

 

COMO É FEITA A NOTA?

De modo simples, o índice também foi pensado como uma ferramenta prática para orientar políticas públicas e investimentos privados, além de possuir aplicação territorial. A estrutura do IPS é dividida em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

A primeira, “Necessidades Humanas Básicas”, avalia aspectos essenciais como nutrição, cuidados médicos, moradia, saneamento e segurança pessoal. A segunda, “Fundamentos do Bem-Estar”, analisa fatores que contribuem para a manutenção da qualidade de vida, como acesso à educação básica, saúde, bem-estar, informação, comunicação e qualidade ambiental.

Já a dimensão “Oportunidades” verifica se existem condições para que os indivíduos desenvolvam plenamente suas capacidades, observando indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, liberdades e acesso ao ensino superior.

Ao todo, o IPS Brasil 2026 utiliza 57 indicadores provenientes de bases oficiais e institutos de pesquisa. Entre os indicadores avaliados estão cobertura vacinal, mortalidade infantil, acesso à água, internet, violência, expectativa de vida, obesidade, inclusão política de mulheres e negros, homicídios e acesso à educação superior.

O índice varia de 0 a 100, sendo que, quanto maior a nota, melhor o desempenho social do território. O cálculo é feito a partir da média das três dimensões principais, enquanto cada componente recebe pontuação baseada em indicadores padronizados e comparáveis entre os municípios.

Confira abaixo o mapa completo e interativo em que você consegue conferir esses dados:

Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026
Fonte: Dados do Índice de Progresso Social (IPS) | BAHIA NOTÍCIAS