O volume de água do açude Brumado hoje, dia 24/03/2026 é de 59.789.074 m³, cota 1.020,30 m, que equivale a 60,18% de sua capacidade.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 24/03/2026 é de 59.789.074 m³, cota 1.020,30 m, que equivale a 60,18% de sua capacidade.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 23/03/2026 é de 58.366.296 m³, cota 1.020,06 m, que equivale a 58,75% de sua capacidade, leitura feita às 06h44 min. Assim, com as chuvas registradas nesta segunda-feira o volume deve ultrapassar 60% a partir da próxima leitura amanhã (24).
O pagamento do abono do PIS será liberado nesta segunda-feira (16) para trabalhadores que nasceram em março, tinham carteira assinada por pelo menos 30 dias em 2024 e receberam, em média, até R$ 2.765,93 por mês.
Também é necessário estar inscrito no programa há pelo menos cinco anos e ter os dados corretamente informados pelo empregador na Rais (Relação Anual de Informações Sociais). O cronograma começou em fevereiro e continuará ao longo dos próximos meses até contemplar todos os trabalhadores que têm direito ao abono neste ano.
A partir de 2026, passaram a valer novas regras de acesso. O limite de renda para ter direito ao abono deixou de ser vinculado automaticamente a dois salários mínimos e passou a ser corrigido pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), conforme emenda constitucional aprovada em 2024.
O QUE É O ABONO SALARIAL?
O abono salarial é pago a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos que cumpram os critérios exigidos. Em 2026, o benefício será pago a quem trabalhou no ano-base de 2024.
VEJA O CALENDÁRIO DO PIS/PASEP 2026
Nascidos em - Data de pagamento
Janeiro - 16 de fevereiro
Fevereiro - 16 de março
Março e abril - 15 de abril
Maio e junho - 15 de maio
Julho e agosto - 15 de junho
Setembro e outubro - 15 de julho
Novembro e dezembro - 17 de agosto
Se a data não for um dia útil —como no caso do dia 15 de março (um domingo)—, o pagamento é realizado no primeiro dia útil após a data prevista no calendário —nesse caso, dia 16 (segunda-feira).
O calendário foi aprovado pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador). As datas foram propostas pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e definidas após deliberação com outros órgãos do governo federal.
O dinheiro ficará disponível para saque até o último dia útil do calendário bancário de 2026. Caso o valor não seja retirado, ele retorna aos cofres públicos, mas ainda pode ser solicitado dentro do prazo de cinco anos.
QUEM TEM DIREITO AO ABONO SALARIAL EM 2026?
Têm direito ao PIS/Pasep os trabalhadores da iniciativa privada e os servidores públicos que tenham trabalhado formalmente por pelo menos 30 dias em 2024, estejam inscritos no programa há no mínimo cinco anos e tenham recebido até R$ 2.765,93 por mês, em média. O empregador também precisa ter enviado corretamente as informações na Rais.
O QUE MUDA NO PIS/PASEP A PARTIR DESTE ANO?
A principal mudança é no limite de renda que dá direito ao abono. Antes, o benefício era pago a quem ganhava até dois salários mínimos no ano-base. A partir de 2026, esse valor passa a ser corrigido pela inflação medida pelo INPC. Para quem trabalhou em 2024, o teto ficou em R$ 2.765,93.
As alterações serão feitas de forma gradual. A regra prevê que, até 2035, o abono salarial seja pago apenas a trabalhadores que recebam até um salário mínimo e meio. O valor de referência será reduzido ano a ano até atingir esse patamar.
QUAL É O VALOR DO ABONO SALARIAL?
O trabalhador pode receber até um salário mínimo, dependendo do número de meses trabalhados no ano-base. O cálculo considera 1/12 do salário mínimo vigente no ano do pagamento para cada mês trabalhado, com arredondamento para cima. Frações iguais ou superiores a 15 dias são consideradas como mês cheio.
QUEM TRABALHOU O ANO TODO RECEBE QUANTO?
Quem trabalhou durante todos os 12 meses de 2024 receberá o valor integral de um salário mínimo, que será o piso vigente em 2026, de R$ 1.621.
COMO SABER SE VOU RECEBER O PIS/PASEP EM 2026?
A consulta pode ser feita pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Gov.br. É necessário ter login com CPF e senha, além de um fator de segurança, como biometria.
COMO FAZER A CONSULTA AO PIS/PASEP?
Pela internet
1 - Acesse o site https://servicos.mte.gov.br/spme-v2/#/login e clique em "Entrar com gov.br"
2 - Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Portal Gov.br. Caso não tenha cadastro, é possível fazê-lo neste site
3 - Em seguida, clique em "Abono Salarial"
4 - Na próxima tela, aparecerá a informação se o trabalhador receberá ou não o benefício
Pelo aplicativo
1 - No celular ou tablet, baixe o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, caso não o tenha.
2 - Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Portal Gov.br. Caso não tenha cadastro, é possível fazê-lo neste site.
3 - Na tela inicial, clique em "Abono Salarial - Consultar". Caso a opção não apareça, clique no menu da parte de baixo da tela, depois, em "Benefícios e Abono Salarial"
4 - Na próxima página, aparecerá a informação sobre os valores a receber
COMO É FEITO O PAGAMENTO DO PIS?
O PIS é pago pela Caixa Econômica Federal aos trabalhadores da iniciativa privada. Quem tem conta-corrente ou poupança na Caixa recebe o crédito automaticamente. Os demais beneficiários recebem o valor na poupança social digital movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.
Pelo aplicativo, é possível pagar contas, fazer transferências, realizar compras com cartão de débito virtual e pagar na maquininha, sem necessidade de ir a uma agência.
COMO FUNCIONA O PAGAMENTO DO PASEP?
O Pasep é pago pelo Banco do Brasil aos servidores públicos. Clientes do banco recebem o valor diretamente na conta. Quem não tem conta deve procurar uma agência do Banco do Brasil para sacar o benefício, levando documento de identificação com foto.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 09/03/2026 é de 56.096.701 m³, cota 1.019,67 m, que equivale a 56,47% de sua capacidade. A recarga foi de mais de 35 milhões de metros cúbicos desde 06/11/2025. A previsão do tempo indica chuavas de cerca de 150 mm de 15 a 23 de março o que deve contribuir para o aumento do volume do reservatório.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 06/03/2026 é de 54.669.145 m³, cota 1.019,42 m, que equivale a 55,03% de sua capacidade. Com a previsão de chuvas entre os dias 15 e 20 de março, há possibilidade do reservatório ultrapassar 60 milhões de metros cúbicos, o que representaria cerca de 60% de sua capacidade.
Consumidores estão reclamando do alto preço dos combustíveis em Livramento de Nossa Senhora. Sem qualquer aviso os postos estão vendendo gasolina nesta quinta-feira (05) a R$ 7.39 à vista, um dos maiores preços da Bahia, enquanto o diesel S10 foi reajustado para R$ 6,99, um aumento de 15%, pois era encontrado nos postos neste mês de R$ 5,99 a R$ 6,19. Vale lembrar que dia 27/01 houve redução do preço da gasolina nas distribuidoras em 5,2%, mas Livramento é conhecida por aumentar os preços dos combustíveis automaticamente, contudo, quando se trata de redução nos preços, os consumidores a ver navios. Há muito tempo consumidores tem reclamado de preços abusivos dos combustíveis praticados em Livramento de Nossa Senhora, sobretudo da gasolina, pagando mais caro do que a maioria dos municípios da Bahia. Livramento tem uma frota de mais de 25 mil veículos e a diferença de preço, que varia de R$ 0,50 a R$ 1,0 por litro acaba causando muitos prejuízos a quem depende do produto para se locomover.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 05/03/2026 é de 53.431.118 m³, cota 1.019,20 m, que equivale a 53,78% de sua capacidade, portanto, a recarga neste período foi de cerca de 32 milhões de metros cúbicos desde 06/11/2025. A previsão do tempo indica mais chuvas no mês de março, notadamente entre os dias 15 a 19, podendo o reservatório ultrapassar facilmente 60% e garantir segurança hídrica mínima para o ano de 2026 e 1º semestre de 2027.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 04/03/2026 é de 49.073.489 m³, cota 1.018,40 m, que equivale a 49,39% de sua capacidade.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 03/03/2026 é de 45.455.815 m³, cota 1.017,70 m, que equivale a 45,76% de sua capacidade.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 27/02/2026 é de 38.840.260 m³, cota 1.016,32 m, que equivale a 39,09% de sua capacidade, ante 20.905.141 m³ (21,5%) registrado em 06/11/2025 portanto, a recarga neste período foi de cerca de 18 milhões de metros cúbicos a previsão do tempo indica chuvas nos próximos dias podendo o reservatório ultrapassar facilmente 40% e garantir segurança hídrica mínima para o ano de 2026.
Sou João Hipólito Rodrigues Filho, ex-prefeito do município de Abaíra, e municipalista por convicção. Participei ativamente das discussões da União dos Municípios da Bahia (UPB), defendendo pautas voltadas à justiça fiscal, ao equilíbrio federativo e à garantia de condições mínimas de governabilidade para os pequenos municípios, em especial aqueles localizados no semiárido baiano.
Um dos maiores entraves enfrentados hoje pelas pequenas prefeituras é a forma de distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Diferentemente do que muitos imaginam, o FPM não é distribuído de forma per capita, mas por faixas populacionais. Municípios com até cerca de 9.300 habitantes recebem praticamente o mesmo coeficiente, independentemente de terem 1.500, 3.000 ou 9.000 moradores. Essa lógica gera uma distorção grave, pois municípios com demandas muito diferentes acabam recebendo valores semelhantes.
Essa desigualdade se torna ainda mais crítica quando se considera que a Lei de Responsabilidade Fiscal permanece inalterada, exigindo dos gestores o cumprimento rigoroso de limites e índices, sem qualquer flexibilização que leve em conta a escassez estrutural de receitas dos pequenos municípios. Os Tribunais de Contas avaliam as gestões de forma linear, desconsiderando as diferenças reais de capacidade financeira entre os entes municipais, o que acaba penalizando quem administra com poucos recursos.
Além do FPM, o ICMS é outra fonte fundamental para as finanças municipais. Embora exista uma regra de distribuição que inclui critérios compensatórios, como população e indicadores oficiais apurados por órgãos como o IBGE, a maior parte desse tributo é fortemente concentrada nos municípios que possuem atividade industrial, grandes empreendimentos ou elevada produção econômica. Na prática, municípios pequenos, sem parque industrial ou produção agrícola expressiva, recebem cotas muito reduzidas de ICMS, especialmente aqueles enquadrados nos coeficientes mais baixos, como 0.6 ou 0.8.
Em contrapartida, municípios industrializados, como Camaçari, Candeias e outros polos econômicos, recebem valores elevados de ICMS, o que amplia ainda mais o desequilíbrio regional. Enquanto uns contam com receitas robustas e capacidade de investimento, outros lutam diariamente para manter os serviços básicos funcionando.
Outro componente que aprofunda essa desigualdade é a distribuição dos royalties, especialmente aqueles vinculados à exploração de recursos naturais e à atividade industrial. Esses recursos ficam concentrados em poucos municípios, geralmente aqueles que sediam refinarias, complexos petroquímicos, empreendimentos energéticos ou grandes estruturas produtivas. Os pequenos municípios do interior e do semiárido, que não possuem esse tipo de atividade, não recebem praticamente nada dessa fonte de receita.
Além disso, as receitas próprias dos pequenos municípios são extremamente limitadas. O IPTU é irrisório, em razão da baixa valorização imobiliária. A arrecadação do IPVA, proveniente do emplacamento de veículos, é pequena, pois há poucos veículos novos e baixo volume de transações. O ITR e outras transferências complementares têm impacto reduzido. Na prática, o município pequeno depende quase exclusivamente do FPM, de uma parcela modesta do ICMS e de receitas pontuais para sobreviver administrativamente.
Enquanto isso, grandes obras estruturantes raramente chegam aos pequenos municípios, muitas vezes sob o argumento de baixa população ou alto custo. Falta sensibilidade por parte dos governos estadual e federal para compreender que o desenvolvimento regional passa necessariamente pelo fortalecimento dos pequenos municípios, que são a base territorial, social e cultural do país.
Defender os pequenos municípios não é defender privilégios, mas sim corrigir distorções históricas e garantir que o pacto federativo funcione de forma justa. Sem mudanças estruturais na forma de distribuição das receitas públicas, especialmente do FPM, do ICMS e dos royalties, continuaremos empurrando os municípios do semiárido para uma condição permanente de sobrevivência administrativa, quando o que se espera é desenvolvimento, dignidade e oportunidade para todos.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 25/02/2026 é de 38.072.110 m³, cota 1.016,15 m, que equivale a 38,32% de sua capacidade.
O volume de água do açude Brumado hoje, dia 20/02/2026 é de 34.756.036 m³, cota 1.015,39 m, que equivale a 34,99% de sua capacidade.
Após o grande número de contribuintes interessados em aproveitar o desconto de 15% na antecipação do IPVA 2026 ter sobrecarregado o sistema de pagamento e provocado instabilidade nos últimos dias, a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-Ba) decidiu prorrogar o prazo final até 25 de fevereiro. De acordo com o calendário original, o desconto estaria válido até esta terça-feira, dia 10. A definição da nova data levou em conta o período de Carnaval. As demais datas previstas no calendário do IPVA 2026 permanecem as mesmas.
A Sefaz-Ba lembra que o desconto, um dos maiores do país, só é válido para pagamento à vista, e pode ser feito por meio da plataforma ba.gov.br ou em caixas eletrônicos ou aplicativos do Banco do Brasil, Bradesco ou Bancoob, com o número do Renavam em mãos. O desconto de 15% é calculado de forma automática em todas as plataformas, e é válido somente para o IPVA.
A Sefaz-Ba e o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-Ba) alertam que, para ter o veículo totalmente regularizado, é necessário efetuar o pagamento do licenciamento integrado, que engloba, além do IPVA, o licenciamento anual, de responsabilidade do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-Ba), e eventuais multas.
É importante lembrar ainda que o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo Eletrônico (CRLV-e) não é mais enviado para o endereço do contribuinte, por isso é necessário que, após pagar o licenciamento, o contribuinte gere o arquivo digital no ba.gov.br, para em seguida imprimir ou salvar no celular.
Pagamento via Pix
É possível fazer o pagamento à vista, via Pix, em qualquer instituição bancária. O licenciamento integrado — que reúne IPVA, taxa de licenciamento e eventuais multas — pode ser realizado de forma 100% digital por meio da plataforma ba.gov.br. Para isso, basta acessar a página, entrar com usuário e senha, e escolher a opção “Pagar Licenciamento Cota Única”. Depois é só digitar o número do Renavam do veículo e gerar o Documento de Arrecadação Estadual (DAE), que já vem com o código de barras e o QR Code do pix.
O ba.gov.br pode ser acessado, ainda, utilizando-se usuário e senha do gov.br, plataforma digital unificada do Governo Federal. As plataformas e caixas do Banco do Brasil, Bradesco ou Bancoob também permitem ao contribuinte pagar o licenciamento integrado.
Outras alternativas
A Sefaz-Ba informa que, caso o contribuinte não possa fazer a quitação e aproveitar o desconto de 15% até o dia 25, ele tem ainda a opção de pagar o imposto com 8% de desconto, desde que faça o pagamento do valor integral até o dia do vencimento da primeira cota do parcelamento previsto para o seu veículo. Esta informação pode ser checada no calendário do IPVA 2026, disponível no site no www.sefaz.ba.gov.br, clicando-se em “Inspetoria Eletrônica” – “IPVA” – “Calendário”.
É possível ainda fazer o parcelamento em cinco vezes, sem desconto, também de acordo com o calendário anual, levando-se em conta o número final da placa do veículo. Caso a opção seja por parcelar o IPVA, o contribuinte deve lembrar-se de que os débitos referentes à taxa de licenciamento e a eventuais multas de trânsito deverão ser pagos até o prazo final do pagamento em cota única ou da quinta parcela do IPVA.
O imposto só poderá ser parcelado se o valor do débito for igual ou superior a R$ 120,00. A Sefaz-Ba lembra que a opção do parcelamento referente a débitos anteriores a 2026 será admitida apenas caso este pagamento ocorra junto com o do exercício atual.
Nasci em 1969, quando Livramento de Nossa Senhora ainda crescia no compasso da terra e da água. Nos anos 70 e início dos 80, a cidade era pujante sem alarde. O arroz sustentava muita gente, a agricultura de subsistência ensinava a respeitar o tempo, e depois veio a barragem no Rio de Contas — cem milhões de litros represados — mudando o destino da região. A água trouxe regularidade, e Livramento virou terra de manga, maracujá e lavoura irrigada. Mas antes de tudo isso virar produção e estatística, era apenas vida. E era infância.
Infância ali era sazonal. Não seguia relógio, seguia vento, chuva e colheita. Quando ventava, era tempo de empinar pipa — suro. Linha na mão, olho no céu, disputa silenciosa. Em outros dias, bola de gude, joelho ralado, bolso pesado de vidro colorido. Tudo tinha sua hora, como a lavoura.
E havia o dinheiro.
Não o dinheiro de verdade, mas o que valia mais do que ele. A gente fazia dinheiro com carteira de cigarro. Arizona, Hollywood, Continental, Palmal. Cada uma tinha um valor — cinco, dez cruzeiros — conforme a raridade e o estado. Eu era considerado um dos mais ricos nesse sistema. Colecionava, organizava, guardava. Era um mercado sério. Como também eram sérias as coleções de calendário, as folhinhas de Ano Novo, que marcavam o tempo quando o tempo ainda se pendurava na parede.
Mas talvez nada fosse tão importante quanto o carrinho de tábua.
A gente construía verdadeiras “federais”, vilas inteiras feitas de compensado, prego torto e imaginação certa. As rodas eram chapiadas com borracha, o volante era um cabo de vassoura firme. Não era brinquedo: era veículo. Não se andava — dirigia-se. Às vezes o carrinho virava caminhão, às vezes servia para ir buscar umbu, fruta da época, às vezes só descia ladeira abaixo, sentindo o mundo correr.
Tudo improvisado. Tudo entendido sem explicação.
A feira também educava.
Os animais ficavam amarrados, o povo negociava, e a gente observava. Mas a feira não era só comércio; era cor, cheiro e gosto. Chegavam frutas de toda parte, especialmente do Mato Grosso, localidade vizinha de Rio de Contas. Pequi, tangerina, laranja-cravo, banana, tudo com cheiro de terra fresca. Era uma fartura simples, natural, sem embalagem. As frutas tinham tempo e tinham gosto.
E os quintais completavam isso.
Toda casa tinha um. Mangueira carregada, pinha abrindo no tempo certo, melancia que era melancia de verdade — doce, vermelha, do sertão. Uva também. Lembro de atravessar quintal só para contemplar uma parreira, a uva verde protegida com fogo em lata, para não dar bicho e também para ninguém se achegar. Eu não colhia: eu respeitava. Até hoje, quando como uma uva, é aquele prazer que volta. Não é a fruta — é a infância que reaparece no gosto.
Jogava-se bola em quadra de cimento batido, sem grade. Bola canarinho, bola dente de leite. Camisa não se comprava: se fazia. Tintol, pano simples, número à mão. Quando o Guarani foi campeão, fizemos camisa do Guarani. Pertencer era isso.
A televisão ajudava quando queria. Às vezes pegava, às vezes não. Girava-se antena, batia-se na lateral, alguém avisava que tinha melhorado. Não era sobre imagem perfeita, era sobre estar junto.
E havia a igreja.
A gente ia muito. Tinha o Clube UFA, o JUEQUE, o JUPAC, o JAVE, o Time de Cristo. Era encontro, era grupo, era convivência. O Ano Jovem de 1980 deixou a cidade viva de fé e participação. Aquilo moldava a gente sem alarde.
Nas festas, no Natal e na Semana Santa, havia respeito. Fazia-se jejum. Na Sexta-feira Santa, ia-se dar comida aos peixes. O Rio da Baixa era lugar de banho, de brincadeira e de silêncio. A cachoeira e as piscinas naturais eram nossos clubes. Água fria, corpo livre, tempo inteiro.
À noite, vinham os causos. Histórias contadas com respeito, quase em segredo. A gente acreditava. E acreditava também nos mais velhos, na palavra da avó, no conselho dado sem pressa. Havia temor, havia respeito, havia escuta.
Hoje, aos 56 anos, caminhando para os 57, minha vida seguiu. Seguiu bem. Há tranquilidade, há conquistas. Mas falta, às vezes, aquela medida antiga de prazer. Não o prazer anunciado, mas o inteiro.
O prazer de lavar uma bicicleta e sair sem destino. O prazer de dirigir um carrinho de tábua como coisa séria. O prazer de ser rico com dinheiro que não comprava nada. O prazer de um tempo que ensinava sem pressa.
E quando, às vezes, escuto na memória o som seco de uma roda chapiada correndo no asfalto quente, entendo sem esforço: eu não ia a lugar nenhum. Ainda assim, ia inteiro. Porque ali não faltava nada. O tempo não corria — caminhava comigo. E talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos caminhos, ainda seja ali, naquela infância em Livramento, que eu chego mais longe.