Prepare o bolso: aumento do IPVA 2022 chega a 35,3% na Bahia

Se não bastasse a forte alta do preço dos combustíveis, os proprietários de veículos na Bahia terão  uma preocupação a     mais no próximo ano: o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) vai ficar mais caro. Um levantamento do CORREIO aponta que o valor do tributo  vai aumentar entre 3,4% e 35,3% em 2022 (veja alguns valores na tabela abaixo).

Normalmente, o  IPVA  tende a reduzir de um ano para o outro para quem mantém o mesmo veículo. O que aconteceu é que os carros seminovos tiveram uma forte valorização  este ano.   Por falta de insumos, como semicondutores, as montadoras  tiveram problemas na produção de carros novos. A demanda reprimida fez o preço dos carros zero subir e pressionou para cima o valor dos carros usados com o aumento da procura.  A alta  do valor venal dos veículos usados foi de 22,54%, em média, segundo a pesquisa anual feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). 

Como é calculado o Ipva 
A Sefaz não disponibilizou fonte para explicar como o imposto é calculado. Porém, o advogado Mateus Abreu, pós-doutor em direito e professor de Direito Constitucional da Uniruy e Uninassau, explica que o cálculo é baseado em dois fatores: o preço do veículo e a taxa estipulada pelo estado. O preço médio dos carros é sempre segundo a Fipe, que analisa fenômenos econômicos e sociais.

“O Ipva é um tributo estabelecido na Constituição Federal e compete aos estados estabelecer sua própria alíquota. A gente tem que considerar dois fatores. Se for o caso de um veículo zero, essa alíquota vai incidir sobre o valor da nota fiscal. No caso de compra de carro usado, existe uma tabela, que todo ano é divulgada pela secretaria da fazenda, que tem por base o valor de mercado do carro, da tabela Fipe”, orienta Abreu.  

Na Bahia, essa taxa do Ipva permanece a mesma desde 1º de janeiro de 2003, segundo a pasta. Confira abaixo:

I - Para automóveis e utilitários:
a) 3,0% (três por cento) quando movidos a óleo diesel;
b) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) quando movidos a outros tipos de combustíveis;
II - 1% (um por cento) para ônibus, microônibus, caminhões, máquinas de terraplenagem, tratores, motos e motonetas, motocicletas e triciclos estrangeiros e nacionais, observado o disposto no parágrafo único;
III - 1,5% (um e meio por cento) para embarcações e aeronaves;  

De acordo com o advogado, existem estados, como Santa Catarina, em que o imposto é de 2%. Já em Minas Gerais e São Paulo, chega a 4%. Portanto, ele disse que a Bahia está dentro da média nacional. O problema não é o valor da taxa, e sim o aumento do preço dos automóveis.  

“O desafio que a gente está enfrentando no âmbito tributário para 2022 é que, em 2021, houve uma inflação acumulada muito grande, tomada pela escassez de componente pra fabricação de veículos novos. Com a redução da oferta e aumento da procura, elevou os preços no mercado. Então, não estamos enfrentando o aumento da alíquota, e sim o aumento do preço dos automóveis que compõe a própria base de cálculo sobre o qual vão incidir as alíquota”, detalha Abreu.  

Segundo ele, os veículos que mais encareceram foi o Fiat Strada e o Toro. O primeiro saiu de R$ 90 mil, no final do ano passado, para R$ 105 mil, este ano. Já o Toro subiu de R$ 115 mil para R$ 130 mil, no mesmo período. O modelo mais barato que ele tem hoje é o Mobi, por R$ 50 mil. A principal justificativa do aumento é a falta de peça e insumos no mercado. “A indústria automotiva está com falta de peça, de vários componentes, desde pneu, a plástico e microchip. A perspectiva é que se regularize só a partir do segundo semestre do ano que vem”, estima Cardoso. 

 Preço dos veículos faz Ipva aumentar  
Os carros da Fiat, por exemplo, todos os meses deste ano, tiveram reajustes entre 1% e 2%. “Os preços estão aumentando todos os meses, de forma bem maior que o ano passado. A procura está muito grande e temos modelos que demoram de quatro a cinco meses para entregar”, afirma o gerente de vendas da Fiori do Retiro, Diogo Cardoso. 

Na Hyundai, a situação é a mesma. “Todos os modelos subiram de preço, sem exceção. Diante disso, o consumidor vai ter que pagar um IPVA maior”, conta o gerente de vendas da Hyundai da Avenida Paralela, Gleidemilton Campos. Nos anos anteriores, o aumento anual era em torno de 10 a 15%. Em 2021, a alta acumulada foi de 28,9% no HB20, modelo de entrada, e 21,3% no Creta Action. “Estamos com falta de produto e fila de espera para o Creta novo. São mais de 70 pedidos, de clientes que já deram sinal esperando o carro”, afirma Campos. A previsão de entrega é de dois a três meses.  

O presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado da Bahia (Sincodiv-BA) - entidade ligada à Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) - Raimundo Valeriano, confirma que houve alta no preço dos automóveis, mas nada fora da normalidade. “O aumento depende da marca e não tem nada de anormal na alta desse ano”, afirma Valeriano, que também cita a falta de insumos, principalmente, eletroeletrônico. De acordo com ele, pelo menos cinco modelos estão sem pronta entrega.  

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