Livramento: Câmara Municipal concedeu título de cidadão ao Dr. Altamirando Alves Rodrigues
Dr. Altamirando e familiares

Na última sexta-feira (31), o Ex-Delegado-Chefe da Polícia Civil da Bahia, Altamirando Alves Rodrigues, recebeu da Câmara Municipal de Livramento de Nossa Senhora, em sessão solene, o título de cidadão livramentense, cuja proposição foi apresentada pelo Vereador José Roberto Souza Caires e aprovada pelo plenário. Dr. Altamirando, ao usar da palavra, fez um belíssimo discurso para uma platéia repleta de amigos, convidados e familiares, vejamos:

Minha trajetória é septuagenária sétima na ordem cronológica natalícia e quinquagésima segunda na ordem cronológica laboral. Portanto, idosa, extensa e rica em metas significativas alcançadas.

Tentei recortá-la, mas por mais recorte que fiz, ao transportar para a impressão as palavras digitadas passaram de 30 páginas. O que, para a sua leitura, mesmo exercitando o método dinâmico no qual ainda estou engatinhando, esbarraria nas paradas para respiração, o que faço sempre ao final de cada parágrafo. Assim demandaria quatro ou cinco vezes mais o tempo protocolar regimental, além de criar desconforto à sensibilidade auditiva dos senhores.

Por sugestão de meus filhos, Rodrigo Mateus e João Filipe que me assessoram em circunstâncias tais, optamos em encadernar as 30 páginas e colocar exemplares à disposição de quem queira ler, incluindo na biblioteca desta casa legislativa, obviamente com a anuência de sua excelência o senhor presidente, a quem nesse instante solicito. Lançamos também em e-book.

A minha presença aqui e agora, é fruto da magnanimidade do vereador José Roberto de Souza Caires, que se elegeu com a chapa registrada no TRE identificando como Zé de Vital, Nº 55111. A partir deste momento ao me referir a ele o farei com o nome do registro eleitotal, Zé de Vital.

Para indicar meu nome, vereador Zé de Vital, certamente V. ex.ª aliou à sua generosidade, nossa estrutura familiar caracteristicamente cidadã que muito influenciou positivamente para a minha formação, desempenho profissional e vivência social.

Em relação ao meu desempenho profissional, guarda pertinência, a nota publicada pelo jornal Tribuna da Bahia, em 07 de junho de 2001.

TÍTULO

Mesmo com as águas afastando-se do “leito” da Secretaria da Segurança Pública, que teve sua imagem desgastada diante da violência policial nas últimas manifestações do centro, um dos integrantes da instituição vai ser homenageado pela Câmara. O delegado-chefe, Altamirando Rodrigues, receberá o título de “Cidadão de Salvador”, proposto pelo vereador José Raimundo, líder do PL na casa, e aprovado inclusive por integrantes da oposição. “Zé Raimundo nos convenceu da retidão e da competência profissional do delegado”, revelou um dos oposicionistas.

O jornalista autor da nota, certamente fulcrou-se no artigo 5º, inciso XIV da Constituição Federal e resguardou a fonte, não revelando o nome do vereador. Mas agora eu já posso falar, porque ouvi do próprio vereador. Foi Javier Alfaia. Militante e combativo centro-esquerdista filiado ao PC do B. Além dele, integravam aquela edilidade, os não menos militantes e combativos J Carlos, presidente do Sindicato dos Rodoviários, Celso Cotrim, médico legista, membro da diretoria do Sindicato dos Policiais Civis – SINDIPOC e o jornalista e escritor Emiliano José, todos petistas genuínos.

Eu costumava dizer, em figura de linguagem metafórica que olhava pelo retrovisor da minha trajetória e visualizava pedaço de sonho não realizado.

De posse deste diploma, da mesma forma estou olhando e não o vejo mais. Suas excelências os vereadores da Câmara Municipal de Livramento, ao aprovarem a indicação de autoria do digníssimo vereador Zé de Vital, extinguiram aquele pedaço.

Realizaram o último sonho de um septuagenário sétimo que já plantou árvores, tem filhos e está com o conteúdo e capítulos de um livro prontos, aguardando o prefacio e apresentação que serão do amigo e colega Delegado de Polícia Joseval Carneiro, e a revisão que será do decano amigo, jornalista Yonélio Almeida Sayd.

No dizer do poeta cubano José Martí, estou com o meu legado concluído para deixar para aqueles que de mim lembrarem.

Usando mais uma vez figura de linguagem, confesso que o meu coração está em festa. Eu poderia estar de braços dados com a alegria, se presentes aqui estivessem: minhas filhas Cassiana e Mônica, minhas netas Monique e Gabriela, todos os meus Irmãos, primos e amigos que contra a vontade deles e à conta do labor de cada um, não tiveram possibilidade de comparecerem.

Por outro lado, João Filipe e Rodrigo superaram impossibilidade com esforço e me acompanham. João, tem compromissos com os estudos e trabalho de design. Rodrigo, com 23 anos, servidor da Socializa, cogestora de administração prisional, supervisiona a vigilância do Presídio de Vitória da Conquista e tem compromisso com a Faculdade onde é quartanista de Direito.

Ao ler o convite que me enviou a mesa Diretora desta Câmara, depreendi que a solenidade seria realizada no Prédio Amâncio Lima Aguiar.

Justíssima homenagem. Bem como, dando a este Plenário o nome Dona Didi Azevedo. OS dois integraram a plêiade dos grandes vultos que por esta casa passaram e já faleceram. Incluindo o dedicado Paulo Lessa, que o cruel Serial Killer vírus da Covid-19 prematuramente ceifou a sua vida.

Não posso deixar de falar sucintamente da minha vida em Livramento. Foram três fazes. A primeira durou dois anos, mais ou menos.1949 a

1951. Recordo da nossa residência na Rua de trás, da minha amizade com um filho de seu Lúcio, cujo nome não recordo, mas recordo do desnível de seus olhos que me deixavam sem saber se ele olhava para mim, para o brinquedo ou para Tôe de Sinhô, que também brincava conosco. Lembro do zelo a mim dispensado pela primeira filha de nosso vizinho Gerardo Meira, Lila Meira e o cuidado de D. Arlinda avó de Deca, vizinho amigo.

Recordo das minhas idas à escola de D. Tina acompanhando minhas irmãs, onde eram alunos também, Lindemberg Cardoso e suas irmãs.

Mais tarde na escola de D. Julieta no Taquari, que funcionava numa casa onde morou Zé do Arroz e hoje tem o número ....

A segunda foi de 1959 a 1965, vivendo na faixa etária da adolescência nas suas três fases: pré, adolescência e juventude. Fase de construção da minha identidade pessoal.

Para essa construção foram fundamentais os conselhos e exemplo de conduta de meu pai, que me ensinou separar a sã semente do podre joio; que a essência é realidade e sobrepõe a aparência e o ser sobrepõe o ter.

E mais ainda, ser fiel às palavras de Mateus 7.13-14, escolhendo sempre a porta estreita e o caminho apertado que me levariam à vida LONGE da perdição.

Recomendou com ênfase que eu exercitasse a ética em quaisquer circunstâncias, porque os reflexos das decisões tomadas com ela acima de tudo, me blindaria contra insinuações malévolas do inimigo gratuito.

Fundamentais também, as palavras régua e compasso, que ouvi na música de Gilberto Gil. Reconheço que os docentes do grupo escolar Lauro de Freitas e Ginásio de Livramento, deram-me a régua e compasso para alcançar diplomação no grau de professor primário, graduação em Direito, e três pós-graduações na área de humanas.

Valiosíssimo na mesma dimensão, o aprendizado de datilografia, na banca de D. Nenzinha Machado, onde aprendi na máquina de escrever marca REMINGTON operar o teclado das letras: dedos da mão esquerda, A S D F G e direita Ç L K J H. Não imaginava que essa assimilação me levaria a saber operar hoje, a moderníssima tecnologia da informática constante nos computadores e smartphones.

Os docentes vivos sabem e os que faleceram levaram com eles a certeza da minha profunda gratidão.

Mais tarde, bacharel em direito, formado pela Escola de Direito da Universidade Federal da Bahia, saudoso da terra acolhedora, hospitaleira, onde a cor do sol provoca efeito afrodisíaco, que me encantou, seduziu e aprendi a amar, Livramento, afetado pela síndrome do regresso, em 1976 voltei a aqui residir na esperança de sobreviver condignamente com honorários de advogado.

Debalde, só Desilusão.

Esse passado, senhor da nossa história, fica indo e vindo entre o Córtex pré-frontal e o hipocampo, instando-me a lembrar frequente e nitidamente dele.

Casado e pai de duas filhas, sem perspectiva de sobrevivência, em razão da falta de Juiz nas Comarcas de Livramento e circunvizinhas, em 1978, com a interveniência fundamental de meu pai e por intermédio de Raimundo Caires Araújo, Chefe de Gabinete do Governador Roberto Santos, fui nomeado para o cargo comissionado de Delegado Regional de Polícia de Brumado, dando início a um vínculo profissional e afetivo, marcado pela total dedicação à Secretaria da Segurança Pública, e à atividade policial, como dizia o deputado Luís Eduardo Magalhães, Delegado “ full time”, (em tempo integral).

Essas palavras as ouvi, pronunciadas por ele pela última vez, às 21 horas do dia 18 de abril de 1998, sábado, na saída do Clube Social de Paramirim. Terça-feira dia 21 ele faleceu.

Em 1980 logrei aprovação no concurso para Delegado de Polícia. Assumi o cargo, passei a integrar o quadro e após estágio probatório, fui efetivado. Continuei em Brumado até 1987 quando fui removido para Euclides da Cunha, distante 700 quilômetros de Livramento.

Essa distância provocou zero abalo no meu amor por Livramento. Como cantam os sertanejos Leo Canhoto e Robertinho, longe dos olhos perto do coração.

A lonjura dos olhos durou período mais ou menos longo. Todavia, quando retornei o fiz num momento venturoso para mim e de realização para o meu estimado amigo, prefeito Fernando Ledo. Naquela ocasião inauguramos o prédio da Delegacia de Polícia Municipal, obra pela qual ele lutou com denodo e eu acompanhei a sua construção desde o alicerce até a instalação dos ferrolhos nas grades prisionais.

O meu acompanhamento obviamente não foi presencial. Época analógica, nada on-line e vídeo. O acompanhamento foi por meio de planilhas de evolução e registros fotográficos que, por reconhecimento do meu interesse e generosidade de sua parte, me encaminhava o hoje Secretário Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República, Marcos Benício Foltz Cavalcanti, à época Diretor da Superintendência de Construções Administrativas da Bahia – SUCAB.

Da minha última fase em Livramento, amarga, confesso, guardo infinito sentimento de gratidão às pessoas que efetivamente me ajudavam a torná-la mais suave. Além de meu pai, minha madrasta Adalgisa e minhas irmãs e irmãos: tia Antônia, primos Antônio Hipólito, Jessé e Tõezinho, Francisco Antônio Alves, seu Francisquinho e seus filhos, amigo irmão Adão Alves de Castro e Liberato, Dr. Lourival Almeida Trindade, que dividia comigo a defesa de clientes, literalmente repartindo o pão, Nelson, carinhosamente conhecido como Nelson Beatão, Zeca Araújo e D. Dulce, Naldo Chaves Meira, Aécio Ribeiro e D. Regina Assunção e outros.

O fermento que avolumou a minha trajetória laboral mencionada no preambulo desta exposição, foi a execução dos encargos de direção da Polícia Civil da Bahia, de Conselheiro permanente do Conselho de Segurança Pública do Nordeste- CONSENE, presidente interino do Conselho Nacional de Chefes da Polícia Civil, e o empenho para o trabalho integrado e articulado entre as autoridades com delegação do Estado, para a aplicação do seu poder e dever de punir, ressocializar e reinserir o punido à sociedade. Deu muito certo quando dirigi a 24ª Delegacia Regional de Brumado e a Polícia Civil em Salvador.

Numa das paredes do hall no Prédio da Polícia Civil da Bahia em Salvador, Praça da Piedade, está chapeada na parede, placa com a seguinte inscrição.

“Não sei de ofício mais nobilitante. Não sei por outro lado, de tarefa mais ingrata. Não sei de mister mais elevado. Não sei também, de labor mais incompreendido. Não sei de labuta que exige maiores sacrifício. Não sei, ao revés, de lida tão mal recompensada”

Não conheci pessoalmente o seu autor, criminalista Antônio Matos, delegado-auxiliar na década 50, do século XX.

Concordo plenamente com o seu entendimento, e acredito que todos os policiais, também.

Todavia, ao receber a outorga do Título de Cidadão livramentense, cidadão da Cidade de Salvador, medalhas: da Ordem do Mérito da Bahia, de Mérito Marechal Argolo Visconde de Itaparica da Polícia Militar da Bahia, e Cruz da Ordem, maior honraria da Polícia Civil da Bahia, e outras condecorações, conscientizo-me de que a lida é muito mal remunerada, aliás a mais baixa das carreiras jurídicas. Porém, muito bem recompensada quando conduzida obedecendo ao rigorismo do Processo legal.

Presidente Ronilton, parabéns pela reeleição à mesa, condução do processo de outorga dentro do rigor regimental e minha gratidão pela comunhão com o vereador José Roberto de Souza Caires, na indicação.

Vereador José Roberto, parabéns pela eleição à vice-presidência da mesa e receba meu penhorado agradecimento pela indicação do meu nome.

Demais vereadores, recebem todos minha profunda gratidão pela comunhão unanime com o vereador Zé Roberto.

Senhoras e senhos, obrigado pelas honrosas presenças e paciência para a outiva da minha extensa exposição.

Aos meus agora conterrâneos livramentenses que nos assistiram ou ouviram pelas redes sociais ou outro meio qualquer de comunicação, meu fortíssimo abraço com o compromisso de estar permanentemente vigilante às oportunidades, para trazer, dentro de minhas possibilidades o melhor para Livramento, com foco na juventude, no ambiente cultural e a prática esportiva.

Livramento: Câmara Municipal concedeu título de cidadão ao Dr. Altamirando Alves Rodrigues
Dr. Antônio Cláudio e Dr. Altamirando