Dia vinte quatro de agosto O Brasil inteiro entristeceu Cobre luto a nossa bandeira e E a Nação emudeceu...

Era costume em Catolés, limpar e pintar as casas para a festa de setembro. Quem dispunha de recurso financeiro usava tinta industrializada. Quem não tinha pintava com tabatinga extraída em terrenos do Outeiro.
 A exatamente 69 anos, 24 de agosto de 1954, 10h, mais ou menos, eu, minha irmã Vanda e Antônio de Marinha, usando tinta em pó na cor azul, dissolvida em água e pincéis improvisados feitos de canela-de-ema, pintávamos a privada, quando meu pai chegou na porta e, com semblante demonstrando angústia, disse: “Getúlio Vargas morreu “.
Sua angústia tinha razão além do brasileiro grato ao Presidente Vargas. Meses antes o presidente o recebera no Palácio do Cadete, Rio de Janeiro, quando meu pai foi pessoalmente agradecer Sua Excelência pela liberação de recurso em dinheiro, feijão branco e charque que alimentaram os trabalhadores na construção da estrada Piatã/Catolés.
Meu pai dizia que o mais importante foi a lhaneza que lhe foi dispensada por Gregório Fortunato, conhecido como Anjo Negro, chefe da guarda pessoal do presidente, tido como brutamonte. E principalmente do próprio presidente que sussurrava dificultando a oitiva de sua voz. Um detalhe foi mais acentuado. Ao sentar-se o General Chefe do Gabinete Militar, posicionou a ampulheta, relógio de areia, na posição vertical. Quando meu pai começou a falar dos recursos minerais das Chapadas:  diamantina e aurífera, o presidente interessou tanto que ele próprio colocou a ampulheta na horizontal, interrompendo a contagem do tempo pelo relógio de areia.
Encerrada a exposição, o presidente fez um gesto para o General que a tudo assistia, como se fosse uma senha e este aproximou e disse que o tempo estava encerrado. Meu pai se levantou e como lhe ensinara Manoel Almeida, ficou aguardando que o presidente estendesse a mão para a despedida.  Despediram e meu pai retornou para o Ambassador Hotel onde estava hospedado.
Quanto a indução que levou o presidente Getúlio Dornelas Vargas ao suicídio, eu só soube anos depois, na escola.
Meu pai que era entusiasta da festa de 07 de setembro em Catolés, naquele ano a assistiu absorto.
Anos depois, ouvi a música completa da qual consignei o refrão, na voz de uma artista do Circo de Pepino, armado do lado esquerdo de Igreja em Catolés.