Mercado eleva para 5,6% previsão de inflação deste ano

O mercado financeiro aumentou pela sétima vez consecutiva a previsão de inflação para 2022. Segundo projeção do boletim Focus, divulgado hoje (2) pelo Banco Central, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2022 em 5,6%. Há uma semana, a projeção do mercado era que a inflação ficasse em 5,56% este ano. Há quatro semanas, a previsão era 5,38%.

Para 2023, o mercado também elevou a expectativa em relação à evolução do IPCA. Há quatro semanas, a projeção era de inflação de 3,5% no próximo ano, mas a desta semana
foi para 3,51%. Já para 2024, o mercado elevou a estimativa para 3,1%, ante os 3,09% projetados na semana passada.

Divulgado semanalmente, o boletim Focus reúne as projeções do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Na projeção desta semana, o Focus manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços) registrada há sete dias, de 0,3%, em 2022. Esta é a quarta semana consecutiva que o mercado mantém a projeção de crescimento da economia em 0,3%.

Para 2023, o Focus também registrou a mesma expectativa de PIB da semana passada, de 1,5%. Há quatro semanas, estimava-se que o PIB crescesse 1,55%. Para 2024, a projeção manteve-se estável, ficando em 2%.

Taxa de juros e câmbio

O mercado manteve em 12,25% a previsão para a taxa básica de juros, a Selic. Há quatro semanas, a projeção era de 1,75%.

Em fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom), aumentou a taxa de juros de 9,25% para 10,75% ao ano. Em comunicado, o Copom indicou que continuará a elevar os juros básicos até que a inflação esteja controlada no médio prazo.

Para o fim de 2023, o mercado estima que a taxa básica de juros caia para 8% ao ano. Para 2024, a previsão é de Selic em 7,25% ao ano, ante os 7,38% da projeção da semana anterior.

A expectativa do mercado para a cotação do dólar neste ano ficou em R$ 5,50, a mesma da semana anterior. Para 2023, a previsão também diminuiu, passando de R$ 5,36 para R$ 5,31. Para 2024, a estimativa é R$ 5,30, mesmo valor projetado na semana passada.


Veja quem pode ser dependente no Imposto de Renda de 2022

Os contribuintes poderão deduzir até R$ 2.275,08 por dependente no Imposto de Renda de 2022, que começa a ser entregue no dia 7 de março. O novo programa da declaração também será liberado no dia 7, e não antes do prazo. Com paralisações e mobilizações de servidores da Receita, a liberação do programa atrasou e o prazo para enviar a declaração será mais curto neste ano.

Os contribuintes já podem separar os documentos essenciais para preencher a declaração sem erros, como informes de rendimentos e recibos de despesas com saúde e educação. Também é necessário reunir os informes de rendimentos de todos os dependentes que estarão na declaração, assim como os recibos de despesas que eles tiveram em 2021. É obrigatório informar o número de CPF (Cadastro de Pessoa Física) de todos os dependentes, até mesmo de filhos que nasceram em 2021. A inscrição no CPF pode ser feita pelo site da Receita Federal.
Veja quem pode ser declarado como dependente no Imposto de Renda:

- O(a) cônjuge ou companheiro(a) com quem o contribuinte tenha filho ou viva há mais de cinco anos

- Filho(a) ou enteado(a), até 21 anos de idade, ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho

- Filho(a) ou enteado(a), se ainda estiver cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, até 24 anos de idade;
- Irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho;

-Irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, com idade de 21 anos até 24 anos, se ainda estiver cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, desde que o contribuinte tenha detido sua guarda judicial até os 21 anos;

- Pais, avós e bisavós que, em 2021, tenham recebido rendimentos, tributáveis ou não, até R$ 22.847,76 anuais;

Sogros, desde que o cônjuge ou companheiro seja incluído como dependente do declarante, e os sogros tenham recebido rendimentos, tributáveis ou não, de até R$ 22.847,76 anuais

- Menor pobre até 21 anos que o contribuinte crie e eduque e de quem detenha a guarda judicial;
- Pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curador, como menores e enfermos

- Declare todos os rendimentos e ganhos do dependente

Ao incluir um dependente que receba rendimentos tributáveis de qualquer valor, como salários, aluguéis e pensões, o contribuinte também precisa declarar esses valores. Isso pode aumentar o valor do imposto a ser pago.

Gastos com saúde e educação do dependente também poderão ser deduzidos do valor final a pagar ou aumentar a restituição a ser recebida. É importante guardar os comprovantes destes gastos, como recibos e notas fiscais.

Ao preencher a declaração o programa mostrará a diferença no imposto a ser pago ou no valor da restituição e se é vantajoso declarar o dependente, considerando seus ganhos (se houver) e as deduções permitidas.

Se um dependente completou 25 ou 22 anos ou faleceu em qualquer mês de 2021, ainda pode entrar como dependente na declaração de 2022. O limite para dedução será o mesmo, esclarece Valdir Amorim, coordenador técnico jurídico e tributário da consultoria IOB.
 

NOVIDADES NA DECLARAÇÃO DO IR DE 2022
- A Receita Federal anunciou novos campos de preenchimento que pedirão o endereço, telefone e email de dependentes.

- Os contribuintes deverão especificar se moram ou não com o dependente, e o endereço inserido poderá ser usado para atualizar o CPF deste dependente.

- Os dados de contato dos dependentes, embora de preenchimento opcional, devem ser usados pela Receita para localizar e se comunicar com o autor da declaração se necessário, diz Amorim. "É importante entender que o dependente também é considerado um declarante para a Receita, e o fisco parece querer ampliar as possibilidades de comunicação com ele."

PAIS SEPARADOS

Segundo Felipe Coelho, gerente sênior de impostos da consultoria EY, um erro clássico no preenchimento da declaração ocorre quando pais declaram, ambos, um filho ou filha como dependente. Isso pode ser feito apenas quando o casal entrega a declaração em conjunto.

No caso de pais separados e declarações distintas, cada filho deve constar em apenas uma delas, mesmo em caso de guarda compartilhada.

Cada declarante pode deduzir os valores de até R$ 2.275,08 relativos a qualquer um dos dependentes comuns, desde que nenhum deles conste também na declaração do outro declarante, segundo a Receita.

Em caso de guarda não compartilhada, o filho pode constar como dependente apenas do contribuinte que detém a guarda, de acordo com decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.

Se o filho fizer a própria declaração, não pode constar como dependente na declaração do responsável.
O pai ou a mãe que pagar pensão alimentícia ao filho pode incluí-lo como alimentando. Os gastos com pensão são dedutíveis no IR do pagador e devem ser declarados. Quem recebe a pensão deve declará-la como rendimento tributável.

CASAIS HOMOAFETIVOS

O contribuinte pode incluir companheiro ou companheira do mesmo sexo como dependente e deduzir o valor correspondente do imposto final a ser pago, desde que o casal viva junto há mais de cinco anos ou tenha filhos, ainda que unidos por tempo menor.

 

Veja o valor das deduções do IR

Com dependentes: R$ 2.275,08 por dependente

Com educação: limite individual de até R$ 3.561,50 no ano

Limite de dedução do desconto simplificado: R$ 16.754,34

Cronograma de pagamentos da restituição do Imposto de Renda

1º lote: 31 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 29 de julho 4º lote: 31 de agosto 5º lote: 30 de setembro

 

 


Gás de cozinha fica mais caro na Bahia a partir desta quarta-feira

A Acelen, empresa que administra a Refinaria Mataripe, antiga Ladulpho Alves, anunciou na terça-feira (1º) o segundo reajuste do gás de cozinha na Bahia em 2022. O aumento, que já vale a partir desta quarta (2), é de 3,24%, o que equivale a R$ 1,51 na refinaria, o que deve impactar entre R$ 2 e R$ 3 no produto final.

Para a TV Bahia, a Acelen justificou o reajuste do produto alegando a cotação do petróleo, da variação do dólar, além do custo logístico para a entrega do produto.

A primeira alteração no preço aconteceu no dia 3 de fevereiro, quando o gás ficou 9,4% mais caros no estado. Na época, o valor repassado para o consumidor final ficou entre cinco e sete reais e o preço médio do botijão de 13 quilos, passou para R$ 120.


Guerra na Ucrânia tira o fantasma da Terceira Guerra Mundial da aposentadoria

O fantasma da Terceira Guerra Mundial, aquele conflito que fez Albert Einstein imaginar que a Quarta seria travada com paus e pedras, volta a assombrar o Ocidente 30 anos após aquele que parecia seu exorcismo final.
Tudo cortesia do embate subjacente à guerra que se desenrola na Ucrânia: a disputa entre Moscou e o conglomerado Estados Unidos/Otan, centrada no desenho das fronteiras de segurança do Leste Europeu. O Kremlin vê a expansão a leste de estruturas ocidentais como inaceitável.

Nesta terça (1º), o ministro da Defesa russo, Serguei Choigu, colocou em termos claros acerca do que é o "casus belli" do ataque à Ucrânia. "A principal coisa para nós é proteger a Rússia da ameaça militar dos países ocidentais, que estão usando o povo ucraniano na luta contra o nosso país", afirmou à agência RIA-Novosti.
Os coitados que de fato sofrem com a insegurança do Donbass, as supostas "armas nucleares que Kiev quer" e outros temas ficaram de lado.

Putin é um manipulador eficaz. No dia da declaração da guerra, quinta passada (24), ele sugeriu que usaria armas nucleares se o Ocidente se metesse em sua operação. No domingo, ante uma saraivada de sanções, decretou alerta máximo das forças estratégicas russas que havia exibido num exercício uma semana antes.

A lógica diz que ele está apenas ganhando manchetes, por assim dizer, enquanto apanha por todos os lados. E que fala grosso para seu próprio público, além de riscar no chão um limite se for em frente no recrudescimento dos ataques ao vizinho.

Com efeito, não faltam analistas especulando despreocupadamente se ele usaria na Ucrânia uma bomba atômica tática, de baixa potência (ou seja, igual à de Hiroshima ou à de Nagasaki). Lógica não tem sido boa conselheira nessa crise, mas isso parece demais.
Seja como for, o tema da Terceira Guerra Mundial passou a frequentar todas as entrevistas coletivas de autoridades do outro lado com uma desassombrada naturalidade.

Qualquer um que tenha crescido entre os anos 1950 e 1980 sabe o que é viver com a ideia da aniquilação nuclear, mesmo que o risco fosse exagerado muitas vezes em favor do embate ideológico. Mesmo a crise dos mísseis de Cuba (1962) poderia resultar na obliteração dos soviéticos, mas não dos americanos, muito mais fortes à época, por exemplo.

Desde o desmantelamento da União Soviética, em 1991, o fantasma contudo tirou férias. As bombas, não, ainda que o arsenal nuclear mundial tenha caído de 70 mil ogivas para cerca de 13 mil, 90% nas mãos de Moscou e de Washington. Diferentemente de líderes do Ocidente, contudo, Putin fala sobre o espectro sem nenhum pudor.

É o que tem a fazer, para garantir que a ajuda militar da Otan não se torne mais do que imagens de comboios com munição, para desespero da Ucrânia.
O país, aliás, tem pedido insistentemente a intervenção direta da aliança militar ocidental no conflito. Tem recebidos os devidos nãos, justamente pelo temor de uma confrontação imprevisível com a Rússia. Na segunda (28), requisitou a implantação de uma zona de exclusão aérea sobre o país.

Além da admissão clara de perda de controle sobre os céus sobre seu país, o governo de Volodimir Zelenski ainda jogou ele mesmo com a carta da escalada inevitável. "Hoje é a Ucrânia, amanhã será a Otan", disse o chanceler Dmitro Kuleba.

Por ora, ajuda militar será isso, ajuda, e restrita. Mesmo a promessa europeia de enviar caças para Kiev parece algo delirante, exceto que pilotos poloneses decolem para fazer entrega in loco de modelos MiG-29 que ucranianos operam —e arrisquem a Terceira Guerra.

Numa cena correlata na Estônia, o secretário-geral da Otan e o premiê britânico estiveram na base militar multinacional comandada por forças de Londres na pequena ex-república soviética, cuja entrada na Otan com suas irmãs bálticas Lituânia e Letônia em 2004 é o maior calo geopolítico de Putin, então um jovem presidente em primeiro mandato ensaiando boas relações com o Ocidente.

Um tanque Challenger 2 britânico e blindados de combate CV90 estonianos enfeitavam a cena, mas as autoridades ficaram nos floreios acerca da resistência ucraniana e em como a Otan irá se defender sempre e unida. Questões sobre ações contra a Rússia eram respondidas com evasivas usuais: a aliança é defensiva, não queremos brigar com o russos.

Coube à anfitriã, a primeira-ministra Kaja Kallas, tratar de realismo. "Ainda que a Ucrânia perca temporariamente o controle sobre suas cidades, isso será algo difícil de manter [para Putin]", afirmou.

Mas há provocações outras no ar. Sempre um ente à parte na estrutura da Otan, a autossuficiente França tem adotado uma retórica mais dura, com seu ministro das finanças falando que irá "destruir a economia russa" e lutar "uma guerra econômica total" contra Moscou.

Foi admoestado pelo ex-queridinho Dmitri Medvedev, que encantava americanos com seu jeitão de liberal quando fingiu ser presidente sob o premiê Putin de 2008 a 2012, e que hoje está encostado como número 2 do Conselho de Segurança do país. "Meçam as palavras, senhores! E não esqueçam que, na história humana, guerras econômicas costumam virar reais", postou no Twitter.
Se o fantasma dava sinais de vida nas preliminares da guerra, fazendo as potências nucleares assinarem uma promessa de nunca atacarem com armas atômicas, agora ele está no "novo normal" de que Jens Soltenberg (Otan) fala dia sim, dia sim.