ETERNA GRATIDÃO

Vi e li no Instagram, página do TCM – Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia, a foto de seu presidente, Dr. Francisco de Souza Andrade Netto, e de seus visitantes, Asthar Morais de Azevedo, presidente da Associação dos Auditores de Controle Externo do TCM, Manoel Augusto da Cunha Filho, presidente da ASTECOM – Associação dos Servidores do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia, e Josival de Cristo Santos, Inspetor da 8ª IRCE – Inspetoria Regional de Controle Externo, com sede em Alagoinhas, que foram agradecer ao presidente pelo seu fundamental apoio às entidades e pelo lhano atendimento que sempre lhes dispensou.

ESTÁ CHEGANDO A HORA. Pela minha observação, se dependesse da vontade dos servidores ativos e aposentados do TCM, grupo no qual me incluo, e até de gestores, ELA NÃO VIRIA.

Para o nosso pesar, no próximo dia 9, certamente um dos vultos marcantes que passaram pelo TCM - Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia, o Dr. Francisco de Souza Andrade Netto, estará se aposentando. Dr. Francisco, que exerceu múltiplos mandatos como presidente e Corregedor, e um mandato como vice.

Minha relação de amizade com o Dr. Francisco nasceu em 1972, nos bancos da nossa Alma Mater - Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Nós a preservamos por 16 anos, tempo em que fomos colegas, como Delegado de Polícia, e 15 anos, período em que atuei no TCM. Acredito que nossa amizade, firme e forte, se perpetuará.

Dr. Francisco é altruísta e bondoso na acepção da palavra. Não sei sequer de uma “mureta” que ele tenha construído para se separar de alguém. Ressalte-se, liderando milhares de pessoas de índole variada. Por outro lado, testemunhei o seu esforço para criar desde pontilhões até verdadeiros viadutos, na tentativa de consolidar bons relacionamentos. O resultado de seu esforço para conviver em harmonia com seu semelhante pode ser avaliado pelas manifestações dos ex e atuais representantes de classe, cujos interesses são tidos como contrários aos dos empregadores.

Dr. Francisco sempre ocupou cargo de comando na Polícia Civil da BAHIA, chegando ao ápice da pirâmide, na nomenclatura da época - Delegado-Chefe. Depois ocupou o cargo de Secretário da Segurança Pública. Não se registrou o menor atrito com colaborador ou comandado. Saliente-se o seu amistoso relacionamento com membros do SINDIPOC – Sindicato dos Policiais Civis da Bahia, com poder de fogo fortíssimo, mercê da participação de combativos sindicalistas, a exemplo de Crispiniano Daltro, Agente de Polícia, e o Médico Legista, ex-vereador, Celso Cotrim Coelho, falecido em 2008.

Pelo irrestrito apoio que recebi de Dr. Francisco, lhe serei profunda e eternamente grato.

ETERNA GRATIDÃO





Barragem Luiz Vieira superou 55% de sua capacidade

O volume de água do açude Brumado hoje, dia 06/03/2026 é de 54.669.145 m³, cota 1.019,42 m, que equivale a 55,03% de sua capacidade. Com a previsão de chuvas entre os dias 15 e 20 de março, há possibilidade do reservatório ultrapassar 60 milhões de metros cúbicos, o que representaria cerca de 60% de sua capacidade.


LIVRAMENTO: Preço do diesel e da gasolina dispara, aumento chega a 15%.

Consumidores estão reclamando do alto preço dos combustíveis em Livramento de Nossa Senhora. Sem qualquer aviso os postos estão vendendo gasolina nesta quinta-feira (05) a R$ 7.39 à vista, um dos maiores preços da Bahia, enquanto o diesel S10 foi reajustado para R$ 6,99, um aumento de 15%, pois era encontrado nos postos neste mês de R$ 5,99 a R$ 6,19. Vale lembrar que dia 27/01 houve redução do preço da gasolina nas distribuidoras em 5,2%, mas Livramento é conhecida por aumentar os preços dos combustíveis automaticamente, contudo, quando se trata de redução nos preços, os consumidores a ver navios. Há muito tempo consumidores tem reclamado de preços abusivos dos combustíveis praticados em Livramento de Nossa Senhora, sobretudo da gasolina, pagando mais caro do que a maioria dos municípios da Bahia. Livramento tem uma frota de mais de 25 mil veículos e a diferença de preço, que varia de R$ 0,50 a R$ 1,0 por litro acaba causando muitos prejuízos a quem depende do produto para se locomover.  


Barragem Luiz Vieira atinge 53,78% de sua capacidade; recarga foi de 32 milhões de metros cúbicos desde 06/11/2025

O volume de água do açude Brumado hoje, dia 05/03/2026 é de 53.431.118 m³, cota 1.019,20 m, que equivale a 53,78% de sua capacidade, portanto, a recarga neste período foi de cerca de 32 milhões de metros cúbicos desde 06/11/2025. A previsão do tempo indica mais chuvas no mês de março, notadamente entre os dias 15 a 19, podendo o reservatório ultrapassar facilmente 60% e garantir segurança hídrica mínima para o ano de 2026 e 1º semestre de 2027.

 




Barragem Luiz Vieira atinge  39,09% de sua capacidade; recarga foi de 18 milhões de metros cúbicos desde 06/11/2025

O volume de água do açude Brumado hoje, dia 27/02/2026 é de 38.840.260 m³, cota 1.016,32 m, que equivale a 39,09% de sua capacidade, ante 20.905.141 m³ (21,5%) registrado em 06/11/2025 portanto, a recarga neste período foi de cerca de 18 milhões de metros cúbicos a previsão do tempo indica chuvas nos próximos dias podendo o reservatório ultrapassar facilmente 40% e garantir segurança hídrica mínima para o ano de 2026. 




A infância em Livramento, por João Hipólito Rodrigues Filho

Nasci em 1969, quando Livramento de Nossa Senhora ainda crescia no compasso da terra e da água. Nos anos 70 e início dos 80, a cidade era pujante sem alarde. O arroz sustentava muita gente, a agricultura de subsistência ensinava a respeitar o tempo, e depois veio a barragem no Rio de Contas — cem milhões de litros represados — mudando o destino da região. A água trouxe regularidade, e Livramento virou terra de manga, maracujá e lavoura irrigada. Mas antes de tudo isso virar produção e estatística, era apenas vida. E era infância.

Infância ali era sazonal. Não seguia relógio, seguia vento, chuva e colheita. Quando ventava, era tempo de empinar pipa — suro. Linha na mão, olho no céu, disputa silenciosa. Em outros dias, bola de gude, joelho ralado, bolso pesado de vidro colorido. Tudo tinha sua hora, como a lavoura.

E havia o dinheiro.

Não o dinheiro de verdade, mas o que valia mais do que ele. A gente fazia dinheiro com carteira de cigarro. Arizona, Hollywood, Continental, Palmal. Cada uma tinha um valor — cinco, dez cruzeiros — conforme a raridade e o estado. Eu era considerado um dos mais ricos nesse sistema. Colecionava, organizava, guardava. Era um mercado sério. Como também eram sérias as coleções de calendário, as folhinhas de Ano Novo, que marcavam o tempo quando o tempo ainda se pendurava na parede.

Mas talvez nada fosse tão importante quanto o carrinho de tábua.

A gente construía verdadeiras “federais”, vilas inteiras feitas de compensado, prego torto e imaginação certa. As rodas eram chapiadas com borracha, o volante era um cabo de vassoura firme. Não era brinquedo: era veículo. Não se andava — dirigia-se. Às vezes o carrinho virava caminhão, às vezes servia para ir buscar umbu, fruta da época, às vezes só descia ladeira abaixo, sentindo o mundo correr.

Tudo improvisado. Tudo entendido sem explicação.

A feira também educava.

Os animais ficavam amarrados, o povo negociava, e a gente observava. Mas a feira não era só comércio; era cor, cheiro e gosto. Chegavam frutas de toda parte, especialmente do Mato Grosso, localidade vizinha de Rio de Contas. Pequi, tangerina, laranja-cravo, banana, tudo com cheiro de terra fresca. Era uma fartura simples, natural, sem embalagem. As frutas tinham tempo e tinham gosto.

E os quintais completavam isso.

Toda casa tinha um. Mangueira carregada, pinha abrindo no tempo certo, melancia que era melancia de verdade — doce, vermelha, do sertão. Uva também. Lembro de atravessar quintal só para contemplar uma parreira, a uva verde protegida com fogo em lata, para não dar bicho e também para ninguém se achegar. Eu não colhia: eu respeitava. Até hoje, quando como uma uva, é aquele prazer que volta. Não é a fruta — é a infância que reaparece no gosto.

Jogava-se bola em quadra de cimento batido, sem grade. Bola canarinho, bola dente de leite. Camisa não se comprava: se fazia. Tintol, pano simples, número à mão. Quando o Guarani foi campeão, fizemos camisa do Guarani. Pertencer era isso.

A televisão ajudava quando queria. Às vezes pegava, às vezes não. Girava-se antena, batia-se na lateral, alguém avisava que tinha melhorado. Não era sobre imagem perfeita, era sobre estar junto.

E havia a igreja.

A gente ia muito. Tinha o Clube UFA, o JUEQUE, o JUPAC, o JAVE, o Time de Cristo. Era encontro, era grupo, era convivência. O Ano Jovem de 1980 deixou a cidade viva de fé e participação. Aquilo moldava a gente sem alarde.

Nas festas, no Natal e na Semana Santa, havia respeito. Fazia-se jejum. Na Sexta-feira Santa, ia-se dar comida aos peixes. O Rio da Baixa era lugar de banho, de brincadeira e de silêncio. A cachoeira e as piscinas naturais eram nossos clubes. Água fria, corpo livre, tempo inteiro.

À noite, vinham os causos. Histórias contadas com respeito, quase em segredo. A gente acreditava. E acreditava também nos mais velhos, na palavra da avó, no conselho dado sem pressa. Havia temor, havia respeito, havia escuta.

Hoje, aos 56 anos, caminhando para os 57, minha vida seguiu. Seguiu bem. Há tranquilidade, há conquistas. Mas falta, às vezes, aquela medida antiga de prazer. Não o prazer anunciado, mas o inteiro.

O prazer de lavar uma bicicleta e sair sem destino. O prazer de dirigir um carrinho de tábua como coisa séria. O prazer de ser rico com dinheiro que não comprava nada. O prazer de um tempo que ensinava sem pressa.

E quando, às vezes, escuto na memória o som seco de uma roda chapiada correndo no asfalto quente, entendo sem esforço: eu não ia a lugar nenhum. Ainda assim, ia inteiro. Porque ali não faltava nada. O tempo não corria — caminhava comigo. E talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos caminhos, ainda seja ali, naquela infância em Livramento, que eu chego mais longe.