“Um Sertanejo em Brasília”

Nas eleições de 1958, Horácio de Matos Júnior, foi eleito vereador para a Câmara Municipal de Piatã. Em 1963 foi eleito para deputado estadual. Em 1974, com o slogan “Um Sertanejo em Brasília”, destacando suas raízes na região da chapada Diamantina e identificação direta com o eleitorado do interior baiano, elegeu-se para deputado federal. Em 1986, assumiu o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia – TCE.

No início dos anos 50, meu pai, João Hipólito Rodrigues, foi atingido por uma forte crise reumática que o deixou imobilizado na cama, em Catolés. Precisando de socorro médico, ele enviou uma solicitação a Alfredo Soares, prefeito de Piatã, pedindo ajuda. Seu Alfredo analisou  uma solução para o deslocamento de meu pai até Piatã. A solução seria improvisar maqueiros para carregarem a maca, já que não havia estrada carroçável. No município, o único automóvel era o Jeep de Horácio, que, além de tudo, era um ferrenho adversário político. A situação chegou ao conhecimento de Horácio, que,  sem hesitar, colocou-se à disposição para ele mesmo conduzir  o Jeep ir até onde fosse possível  encontrar os maqueiros. Combinaram, e,  em um  verdadeiro rally,  Horácio conduziu o Jeep até o lugar chamado Rodeador,  de onde conduziu meu pai até Piatã.

No início do ano de 1969, José Oliveira Alves, conhecido em Catolés como Zé de Diolino ou Zé de ADÉLIA, e em Piatá Zé da Loja, encontrava-se internado no Hospital Espanhol em Salvador, com a saúde muito fragilizada. Eu e Valdete filha de Enedino, que era colaboradora de D. Magnólia, esposa de Horácio, reversávamos no acompanhamento de Zé. Numa certa manhã, o médico diarista, após o exame rotineiro, dirigiu-se a mim e perguntou se eu era filho de Zé. Respondi que era primo em 2º grau e sobrinho por afinidade. Ele sem meias palavras me disse: “o estado do paciente é terminal. Sugiro que você comunique aos familiares dele e peça para levá-lo para casa onde deve receber cuidados paliativos”. Fiz a comunicação, e os filhos de Zé contataram com Horácio,  que se encarregou de,  efetivamente,  fretar o   táxi aéreo. Combinado dia e hora, com antecedência necessária, Horácio chegou no Hospital conduzindo o veículo Chevrolet Impala, bancos de couro claro que realçava ainda mais o luxuosíssimo veículo. Como Zé sofria  de um quadro gastrointestinal totalmente descontrolado, eu ficava receoso de pegar um táxi com ele e ocorrer um episódio de incontinência fecal no veículo . Ao expor a situação para Horácio, ela disse:  “nós iremos no meu carro e,  se ocorrer incontinência, mando lavar”, Do Hospital partimos para o antigo aeroclube onde hoje funciona o Centro de Convenções Municipal e funcionava como campo de pouso e decolagem. Ainda não existia aeroporto. Valdete e Zé embarcaram e eu e Horácio fomos para a Assembleia Legislativa que funcionava em alguns andares do Edifício Ranulfo Oliveira, entre as  Ruas Guedes de Brito e José Gonçalves, Centro Histórico de Salvador.

Certa feita eu viajava de carona com Horácio para Piatã e na Br-242, Horácio disse: “vamos passar em Lençóis para eu ver um diamante com Gringo e a gente comer a melhor moqueca de traíra, na Pensão de  Otaviano Viana, irmão de Nezinho”. Passamos em Lençois e realmente comemos a saborosíssima moqueca  de traíra, que eu ainda não tinha degustado e provavelmente não degustarei, igual.

Em 1982, eu e meu colega delegado, Gilberto Brito, fomos para Brasília participarmos do Curso de Reciclagem na Academia da Polícia Civil do DF. Frequentemente, na tarde e noite, Horácio nos apanhava no alojamento, no Parque Elmo Serejo  Farias e nos conduzia para o Macaxeira Restaurante onde ouvíamos show de música ao vivo e degustávamos petiscos nordestino, principalmente car do sol com macaxeira. E durante o dia quando precisávamos, Carlos era o nosso condutor e cicerone. 

Como se depreende da minha exposição de fatos, enquanto ocupante dos cargos eletivos, Horácio separou sua índole altruísta dos interesses políticos. Portanto autêntico  homem de Estado.

Requiescat in pace – Descanse em paz, Horácio.


O Tempo da Política e a Sabedoria de Saber Esperar: Uma reflexão sobre alternância de poder, sucessão política e o respeito à vontade popular

O Papel do Ex-Prefeito na Democracia Moderna — O Tempo da Política e a Sabedoria de Saber Esperar.

Uma das maiores virtudes da vida pública não é apenas saber vencer uma eleição. É saber conviver com os resultados dela.

A democracia funciona por ciclos. O povo escolhe seus representantes, concede um mandato e espera que eles tenham condições de governar. Parece simples, mas nem sempre é assim. Em muitos municípios, a disputa eleitoral termina oficialmente nas urnas, mas continua nos bastidores da política.

Quando a oposição vence uma eleição, geralmente existe uma compreensão natural de que um novo grupo assumirá o comando da administração. Ainda que existam divergências, cada lado passa a desempenhar seu papel. O governo governa e a oposição fiscaliza.

O mais curioso é que os maiores conflitos nem sempre acontecem quando há mudança de grupo político. Muitas vezes, eles surgem exatamente quando a sucessão ocorre dentro da mesma base.

O prefeito deixa o cargo após oito anos de mandato, apoia um sucessor, ajuda na eleição e espera que determinadas pessoas continuem ocupando espaços, que determinados projetos tenham prioridade ou que determinadas lideranças mantenham a mesma influência. Mas a realidade é que, a partir da posse, existe um novo governo.

Quem assume a prefeitura recebe do povo não apenas um cargo, mas a responsabilidade de governar. Tem o direito e o dever de montar sua equipe, estabelecer prioridades e imprimir seu próprio estilo de gestão. Afinal, será ele quem responderá pelos acertos e pelos erros da administração.

É nesse momento que a maturidade política faz a diferença.

Nem sempre é fácil para quem exerceu o poder durante muitos anos compreender que chegou a hora de ocupar outro papel. O ex-prefeito continua sendo uma liderança importante, continua tendo experiência e conhecimento acumulados, mas precisa reconhecer que o protagonismo administrativo pertence ao novo gestor.

Quando isso não acontece, a política entra em campanha permanente. O primeiro ano de governo já se transforma em discussão sobre a próxima eleição. Divergências administrativas passam a ser tratadas como disputas eleitorais. Questões locais ganham proporções maiores do que deveriam.

Quem perde com isso é a população.

Os municípios precisam de estabilidade para executar projetos, atrair investimentos, melhorar os serviços públicos e planejar o futuro. Uma gestão precisa de tempo para mostrar seus resultados. Da mesma forma que ninguém pode ser considerado um grande gestor nos primeiros meses de governo, também não é razoável condenar uma administração antes que ela tenha a oportunidade de desenvolver seu trabalho.

Como ex-prefeito, aprendi que existe um tempo para liderar e um tempo para apoiar. Existe o tempo de decidir e o tempo de aconselhar. Existe o tempo de conduzir e o tempo de observar.

A boa política não é construída apenas pela força das lideranças. Ela é construída pela capacidade de compreender que os projetos são maiores do que os indivíduos. Mandatos passam. Cargos passam. Mas os interesses da população permanecem.

Talvez um dos maiores desafios da democracia moderna seja exatamente esse: ensinar que alternância de poder não significa ruptura, e que continuidade não significa tutela. Cada gestor deve ter a liberdade de exercer o mandato que recebeu das urnas, enquanto aqueles que já cumpriram sua missão continuam contribuindo com experiência, diálogo e equilíbrio.

No final das contas, os verdadeiros líderes não são aqueles que nunca saem de cena. São aqueles que sabem a hora de conduzir, a hora de apoiar e, principalmente, a hora de esperar.

Porque a democracia também exige paciência. E a paciência é uma das formas mais nobres de respeito à vontade popular.


Da capital ao sertão: uma Bahia que continua avançando

Governar é muito mais do que fazer discurso. É ouvir, planejar, investir e ter compromisso com quem mais precisa. Na Bahia, os governos liderados por Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues construíram uma linha de continuidade que mudou a realidade do estado, principalmente do interior.

Durante muitos anos, o sonho de milhares de baianos era simplesmente ter uma estrada asfaltada ligando uma cidade à outra. Esse avanço começou a ganhar força nos governos do PT. Depois vieram novos investimentos em saúde, educação, abastecimento de água, universidades, hospitais regionais e infraestrutura. Hoje, a Bahia vive uma nova etapa: além de ligar cidades, o governo começa a pavimentar acessos para distritos e povoados, aproximando comunidades, fortalecendo a economia local e melhorando a vida do homem e da mulher do campo.

Jerônimo Rodrigues representa justamente essa Bahia do interior. Filho do sertão, agrônomo, homem simples, conhece a realidade do povo porque viveu ela. Sabe o que significa estrada ruim, dificuldade de acesso à saúde, deslocamento de estudantes e produtores rurais. Por isso, tem priorizado ações regionalizadas, descentralizando serviços e fortalecendo os territórios.

Mas os avanços não ficaram apenas no interior. Salvador também viveu grandes transformações estruturantes nos últimos anos, como a implantação do metrô, a modernização da mobilidade urbana e agora o avanço do VLT da Cidade Baixa, obra aguardada há décadas e que vai melhorar a vida de milhares de pessoas na capital.

O mesmo acontece com a Ponte Salvador-Itaparica, um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil e um vetor de desenvolvimento para toda a região do Recôncavo e Baixo Sul. Durante muito tempo a oposição ironizou, dizendo que era apenas promessa. Mas os fatos começam a mostrar outra realidade: o primeiro navio com equipamentos para a plataforma provisória já chegou, marcando o avanço concreto das obras preparatórias desse empreendimento histórico, que vai gerar empregos, turismo, desenvolvimento econômico e integração regional.

Muitas vezes a oposição critica convênios, anúncios e ordens de serviço, dizendo que “o governo só promete”. Mas quem conhece gestão pública sabe que obra pública tem etapas: projeto, licitação, convênio, liberação de recursos e execução. Nenhuma grande transformação acontece da noite para o dia. Governar exige responsabilidade, planejamento e compromisso.

É importante lembrar também que muitos desafios econômicos não são exclusivos da Bahia nem do Brasil. O mundo inteiro enfrenta oscilações provocadas por guerras, crises internacionais, petróleo, juros, inflação e disputas comerciais entre grandes potências. O Brasil, inclusive, enfrentou recentemente pressões e barreiras econômicas externas, como tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos estratégicos. Ainda assim, o governo federal tem mantido o equilíbrio institucional, retomado obras, ampliado investimentos, gerado empregos e ajudado estados como a Bahia a continuarem avançando.

A segurança pública, por exemplo, é um desafio nacional, presente em praticamente todos os estados brasileiros, independentemente do partido que governa. Ainda assim, a Bahia segue realizando concursos, ampliando efetivos, investindo em inteligência, equipamentos e estrutura para enfrentar o problema.

Ao mesmo tempo, o governo segue entregando resultados concretos: hospitais regionais, escolas em tempo integral, obras hídricas, estradas, policlínicas e investimentos sociais que alcançam principalmente quem mais precisa.

Na política, é comum existir discurso e crítica de todos os lados. Mas governar de verdade exige trabalho contínuo, responsabilidade, investimento e capacidade de transformar projetos em realidade. O povo da Bahia sabe reconhecer quem conhece sua realidade e trabalha de verdade pelo interior e pela população mais humilde.


Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026
Igrejas e praças das 4 cidades | Fotos: Reprodução / Google Street View

Conhecida como a capital da cachaça baianaAbaíra não ficou “de ressaca” quando o assunto foi qualidade de vida. O município liderou o ranking de desenvolvimento social do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 na Bahia e puxou uma lista — curta — de cidades baianas acima da média nacional. Além de Abaíra, apenas Lauro de FreitasItiruçu Valente superaram a média brasileira de 63,40 no levantamento divulgado nesta quarta-feira (20). 

Vale explicar que os números são altos em comparação à média da Bahia. Em uma análise geral, o estado ocupou uma das piores posições nacionais e atingiu a média de 58,72, ficando à frente somente de cinco estados: Rondônia, Amapá, Acre, Maranhão e Pará.

O BN teve acesso aos dados do índice geral do IPS em 2026. Ao todo, 115 cidades estão acima da média baiana, ou seja, 27,58% do estado atingiu uma média qualidade de vida. Contudo, esses números apresentam uma série histórica de desigualdades nas três categorias gerais avaliadas pelo levantamento, que foca em como a população recebe os investimentos, em contraponto aos valores em si.

A nota geral é resultado de uma média de três indicadores avaliados no índice: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.  Esses indicadores usam um total de 57 bases de dados de fontes oficiais e de institutos de pesquisa.

Alguns exemplos são o Ministério da Saúde, Ministério da Cidadania, Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), MapBiomas, Anatel, CadÚnico, entre outras.

As 10 melhores cidades no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia são:

1º Abaíra, com índice de 65,14;

2º Lauro de Freitas, com 63,76;

3º Valente, com 63,57;

4º Itiruçu, com 63,46;

5º Tanque Novo, com 63,16;

 Presidente Dutra, com 62,88;

7º Madre de Deus, com 62,69;

8º Catu, com 62,58;

9º Barreiras, com 62,49;

10º Ibiassucê, com 62,40.

As cidades com os piores desempenhos no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia foram Camamu, com 48,39, e Taperoá, com 49,54. Veja o ranking das 10 menores notas do estado:

417º Camamu, com 48,39;

416º Taperoá, com 49,54;

415º Pedro Alexandre, com 50,14;

414º Pilão Arcado, com 50,16;

413º Wenceslau Guimarães, com 50,17;

412º Prado, com 50,18;

411º Una, com 50,40;

410º Belmonte, com 50,55;

409º Pau Brasil, com 50,56;

408º Itanagra, com 51,29.

 

417º Camamu, com 48,39;

416º Taperoá, com 49,54;

415º Pedro Alexandre, com 50,14;

414º Pilão Arcado, com 50,16;

413º Wenceslau Guimarães, com 50,17;

412º Prado, com 50,18;

411º Una, com 50,40;

410º Belmonte, com 50,55;

409º Pau Brasil, com 50,56;

408º Itanagra, com 51,29.

 

COMO É FEITA A NOTA?

De modo simples, o índice também foi pensado como uma ferramenta prática para orientar políticas públicas e investimentos privados, além de possuir aplicação territorial. A estrutura do IPS é dividida em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

A primeira, “Necessidades Humanas Básicas”, avalia aspectos essenciais como nutrição, cuidados médicos, moradia, saneamento e segurança pessoal. A segunda, “Fundamentos do Bem-Estar”, analisa fatores que contribuem para a manutenção da qualidade de vida, como acesso à educação básica, saúde, bem-estar, informação, comunicação e qualidade ambiental.

Já a dimensão “Oportunidades” verifica se existem condições para que os indivíduos desenvolvam plenamente suas capacidades, observando indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, liberdades e acesso ao ensino superior.

Ao todo, o IPS Brasil 2026 utiliza 57 indicadores provenientes de bases oficiais e institutos de pesquisa. Entre os indicadores avaliados estão cobertura vacinal, mortalidade infantil, acesso à água, internet, violência, expectativa de vida, obesidade, inclusão política de mulheres e negros, homicídios e acesso à educação superior.

O índice varia de 0 a 100, sendo que, quanto maior a nota, melhor o desempenho social do território. O cálculo é feito a partir da média das três dimensões principais, enquanto cada componente recebe pontuação baseada em indicadores padronizados e comparáveis entre os municípios.

Confira abaixo o mapa completo e interativo em que você consegue conferir esses dados:

Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026
Fonte: Dados do Índice de Progresso Social (IPS) | BAHIA NOTÍCIAS

Tesouro lança título com resgate 24 h para competir com poupança e cofrinhos
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Tesouro Nacional, a B3 e o Banco do Brasil lançam nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo título público que irá disputar espaço com poupança e cofrinhos de instituições financeiras. O dinheiro poderá ser sacado a qualquer hora e, ao fazer o resgate, o investidor receberá o Pix com o valor. Com aplicações a partir de R$ 1 e rendimento atrelado à taxa Selic, é voltado para formar reserva de emergência.

O título do Tesouro Direto será liberado neste momento apenas no Banco do Brasil, que tem 80 milhões de correntistas e é parceiro do projeto. A B3 afirma que outras instituições financeiras estão em fase de testes e devem ofertar o papel em breve.

As operações serão feitas pelo aplicativo Investimentos BB, com movimentação via Pix. Como terá funcionamento ininterrupto, será possível sacar ou investir 24 horas por dia nos sete dias da semana.

O principal diferencial na comparação com o Tesouro Selic, que também acompanha a taxa básica de juros, é que ele não terá marcação a mercado -mecanismo que faz o valor dos títulos oscilar antes do vencimento conforme as condições do mercado. Isso evita pequenas variações negativas que costumavam aparecer no extrato de investidores que resgatavam recursos antecipadamente.

O investimento terá rendimento a partir do primeiro dia útil após a aplicação e limite de R$ 500 mil por investidor ao mês, sem restrição para resgates.

Segundo Patricia Palomo, planejadora financeira CFP pela Planejar, o título busca reduzir barreiras que ainda afastavam parte dos pequenos investidores do Tesouro Direto por ter liquidez imediata, simplicidade operacional e previsibilidade no resgate.

A especialista diz que, hoje, muitos investidores utilizam CDBs de liquidez diária, caixinhas ou cofrinhos de bancos digitais ou fundos DI para guardar a reserva de emergência justamente porque conseguem acessar o dinheiro rapidamente e visualizar o saldo sem oscilações aparentes.

Embora o Tesouro Selic já fosse considerado tecnicamente adequado para esse objetivo, Patricia afirma que a marcação a mercado gera desconforto, principalmente entre iniciantes. "Muitos investidores ouviam que o Tesouro Selic era adequado para reserva de emergência, mas ao visualizar pequenas oscilações negativas no saldo, concluíam que tinham 'perdido dinheiro’, mesmo quando isso fazia parte da dinâmica normal da marcação a mercado", diz.

Para ela, o novo produto aproxima o Tesouro da experiência dos cofrinhos digitais, mas com um título público federal como base do investimento.

Patrícia avalia que o Tesouro Reserva tende a ser mais vantajoso para investidores que priorizam previsibilidade e liquidez constante, inclusive fora do horário bancário. Outro ponto é que alguns CDBs de liquidez diária pagam percentuais menores que o CDI para clientes de menor patrimônio, enquanto o Tesouro Reserva tende a acompanhar mais diretamente a dinâmica da Selic. "Dependendo da instituição financeira, isso pode melhorar o retorno líquido para pequenos investidores", diz.

Mas ela diz que o novo título não necessariamente substituirá outros produtos de renda fixa. Alguns bancos oferecem CDBs com liquidez diária, cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e rentabilidade superior ao Tesouro Reserva. Além disso, fundos DI também podem seguir atrativos para quem busca gestão profissional de caixa e integração com plataformas de investimento, apesar das taxas de administração e do come-cotas.

"O principal ponto é entender que ‘sem marcação a mercado’ não significa ausência total de riscos. Movimentações muito frequentes podem reduzir bastante a rentabilidade líquida", afirma Patricia. Na prática, ela diz que o Tesouro Reserva tende a ampliar as alternativas disponíveis e aumentar a concorrência por recursos de curto prazo, mas a escolha ideal ainda dependerá do perfil de uso, do horizonte de liquidez e da relação entre simplicidade, retorno e conveniência para cada investidor.

COMO É O DESCONTO DO IMPOSTO DE RENDA

Valem as mesmas regras tributárias dos demais títulos públicos. Há cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos, com alíquotas regressivas (quanto mais tempo permanecer aplicado, menor o imposto). Para saques feitos em até 30 dias, pode haver cobrança de IOF -zerado após esse prazo. A cobrança é automática, feita pela instituição financeira na fonte, sem necessidade de o investidor fazer algum pagamento à parte.

"A pessoa pode aplicar a partir de R$ 1 e resgatar quando quiser, 24x7, de forma simples. Isso reforça uma questão importante de finanças comportamentais: quando a pessoa detém um investimento, aumenta seu interesse na jornada de educação financeira", afirma Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da Bolsa.

 


Prazo para regularizar título de eleitor termina em dez dias
Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

Eleitores têm até o dia 6 de maio para regularizar o título e garantir o direito ao voto nas eleições de 2026. O prazo é definido pelo Tribunal Superior Eleitoral e vale para quem precisa resolver pendências na situação eleitoral.

A consulta pode ser feita gratuitamente no site do TSE. Basta acessar o menu “Consultas” e clicar em “Situação do título”, informando número do título, CPF ou nome completo e data de nascimento.

Caso haja irregularidades, o eleitor deve utilizar o sistema de Autoatendimento Eleitoral, selecionar a opção “Regularizar título cancelado”, preencher o formulário e enviar os documentos solicitados. Após a solicitação, é possível acompanhar o andamento do pedido pela mesma plataforma.

Quem não regularizar o documento pode enfrentar restrições, como impedimento para participar de concursos públicos, receber salários em cargos públicos, participar de licitações, emitir passaporte ou carteira de identidade, renovar matrícula em instituições públicas de ensino e comprovar quitação com obrigações legais.

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, quando os brasileiros irão escolher deputados federais e estaduais, senadores, governadores e presidente da República. Caso necessário, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.


Com renovação “sem pagamento” para 2027, Neoenergia registrou lucro de R$ 5 bilhões no último ano
Foto: Divulgação

A Neoenergia, concessionária responsável pela administração da Coelba, divulgou seu relatório de atividades de 2025 e apresentou um lucro líquido de R$ 5 bilhões durante o ano passado. A operação na Bahia é uma dos responsáveis pelos números, com os ganhos crescendo 8% em relação a 2024, alcançando R$ 1,95 bilhão. 

Todavia, apesar do lucro registrado pela empresa espanhola, não há previsão da realização de nenhum pagamento para a renovação da concessão com a Coelba, prevista inicialmente para ser encerrada em 2027. No dia 6 de abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou a aprovação da renovação do contrato por mais 30 anos, apesar de críticas ao serviço prestado ao estado.

A nova concessão à Neoenergia, inclusive, foi alvo de críticas pelos deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Um relatório elaborado pelos parlamentares havia sugerido a não renovação do contrato e a abertura de um novo processo licitatório. O documento apontou problemas estruturais na atuação da concessionária no estado.

Entre os pontos destacados estão interrupções frequentes no fornecimento de energia, elevado número de reclamações de consumidores, mais de 44 mil ações judiciais contra a empresa, dificuldades no atendimento a regiões produtivas e aumento nas tarifas nos últimos anos.

Em 2023, a Coelba acumulou 689 reclamações fundamentadas, aquelas com evidente infração às leis que regem as relações de consumo, liderando as queixas na Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). No ano seguinte, ela ocupou o segundo lugar, registrando 1.753 queixas no Procon. As principais insatisfações correspondem à queda do serviço de energia.

No ano passado, a Justiça da Bahia determinou que a Neoenergia adotasse medidas imediatas para melhorar o fornecimento de energia elétrica na cidade de Belmonte. O município enfrentou interrupções frequentes, apagões e quedas de energia em qualquer hora do dia, inclusive em finais de semana e feriados.

Um caso mais recente envolve a cidade de Xique-Xique, a qual ficou com o serviço elétrico suspenso por cerca de 16 horas. A energia do município foi desativada às 2h do dia 1º de março e só foi normalizado por volta das 19h. Segundo informações da Coelba, a queda ocorreu devido a “uma falha no circuito do transformador da subseção do serviço”.

A COELBA

A Coelba foi privatizada em julho de 1997, com 65,4% do seu capital vendido por R$ 1,73 bilhão para o consórcio Guaraniana S/A, formado pela empresa espanhola Iberdrola, que é a controladora da Neoenergia, e pelo Banco do Brasil. No mesmo ano, o governo federal firmou o contrato de concessão de 30 anos da Coelba, na época, também sem estipular o valor.

O Bahia Notícias encontrou o contrato original com a Neonergia. No documento, a concessionária se comprometeu a utilizar tecnologia adequada e métodos operativos que garantissem níveis de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade e cortesia na prestação dos serviços. No contrato também há uma clásula permitindo uma renovação por 30 anos, a qual foi acionada.

Com renovação “sem pagamento” para 2027, Neoenergia registrou lucro de R$ 5 bilhões no último ano
Promessas estipuladas em contrato pela Neoenergia e clásula de renovação | Foto: Captura de tela

Em 2015, a Iberdrola vendeu sua participação na Coelba à Neonergia, fazendo com que a concessionária passasse a ter controle acionário de 96,3%, enquanto o Banco do Brasil ficou com 2,3% e os 1,4% restantes com outros acionistas. 

Apesar da privatização, por se tratar de um serviço considerado essencial, a Constituição Federal prevê que a operação deve ocorrer por meio de concessão pública, com prazo de validade estipulado.

 



Renovação da concessão da Coelba gera críticas e debate sobre fiscalização do serviço na Bahia
Foto ilustrativa: Reprodução / Neoenergia Coelba

A decisão do Ministério de Minas e Energia de renovar por mais 30 anos a concessão da Neoenergia Coelba, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, voltou a gerar críticas e debates sobre a qualidade do serviço prestado à população baiana.

Relatório elaborado no âmbito da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) havia sugerido a não renovação do contrato e a abertura de um novo processo licitatório. O documento apontou problemas estruturais na atuação da concessionária no estado.

Entre os pontos destacados estão interrupções frequentes no fornecimento de energia, elevado número de reclamações de consumidores, mais de 44 mil ações judiciais contra a empresa, dificuldades no atendimento a regiões produtivas e aumento nas tarifas nos últimos anos.

A renovação sem nova licitação também é alvo de questionamentos no debate público, sob o argumento de que a ausência de concorrência pode limitar incentivos à melhoria dos serviços.

Além disso, há preocupações sobre os impactos da qualidade do fornecimento de energia em setores da economia baiana, como agricultura, comércio e indústria, que dependem de estabilidade no serviço para manter suas atividades.

Após a oficialização da medida, a Neoenergia Coelba terá prazo de até 60 dias para formalizar o novo contrato. Com isso, a concessão, que venceria em 2027, será estendida até 2057. O grupo prevê investimentos estimados em R$ 16 bilhões na rede elétrica do estado.

Ao comentar o tema, o deputado estadual Robinson Almeida (PT), coordenador da Subcomissão na Assembleia Legislativa que fiscaliza o contrato da Neoenergia Coelba, afirmou que é necessário reforçar os mecanismos de controle e acompanhamento do serviço.

“A Coelba foi testada e reprovada na distribuição de energia na Bahia. Há falhas recorrentes que impactam diretamente a vida das pessoas e o desenvolvimento econômico do estado”, disse.





Governo libera PIS e Pasep para nascidos em março nesta segunda-feira
Foto: Divulgação/Caixa

O pagamento do abono do PIS será liberado nesta segunda-feira (16) para trabalhadores que nasceram em março, tinham carteira assinada por pelo menos 30 dias em 2024 e receberam, em média, até R$ 2.765,93 por mês.

Também é necessário estar inscrito no programa há pelo menos cinco anos e ter os dados corretamente informados pelo empregador na Rais (Relação Anual de Informações Sociais). O cronograma começou em fevereiro e continuará ao longo dos próximos meses até contemplar todos os trabalhadores que têm direito ao abono neste ano.

A partir de 2026, passaram a valer novas regras de acesso. O limite de renda para ter direito ao abono deixou de ser vinculado automaticamente a dois salários mínimos e passou a ser corrigido pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), conforme emenda constitucional aprovada em 2024.

O QUE É O ABONO SALARIAL?

O abono salarial é pago a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos que cumpram os critérios exigidos. Em 2026, o benefício será pago a quem trabalhou no ano-base de 2024.

VEJA O CALENDÁRIO DO PIS/PASEP 2026

Nascidos em - Data de pagamento

Janeiro - 16 de fevereiro

Fevereiro - 16 de março

Março e abril - 15 de abril

Maio e junho - 15 de maio

Julho e agosto - 15 de junho

Setembro e outubro - 15 de julho

Novembro e dezembro - 17 de agosto

 

Se a data não for um dia útil —como no caso do dia 15 de março (um domingo)—, o pagamento é realizado no primeiro dia útil após a data prevista no calendário —nesse caso, dia 16 (segunda-feira).
 

O calendário foi aprovado pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador). As datas foram propostas pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e definidas após deliberação com outros órgãos do governo federal.

O dinheiro ficará disponível para saque até o último dia útil do calendário bancário de 2026. Caso o valor não seja retirado, ele retorna aos cofres públicos, mas ainda pode ser solicitado dentro do prazo de cinco anos.
 

QUEM TEM DIREITO AO ABONO SALARIAL EM 2026?

Têm direito ao PIS/Pasep os trabalhadores da iniciativa privada e os servidores públicos que tenham trabalhado formalmente por pelo menos 30 dias em 2024, estejam inscritos no programa há no mínimo cinco anos e tenham recebido até R$ 2.765,93 por mês, em média. O empregador também precisa ter enviado corretamente as informações na Rais.

O QUE MUDA NO PIS/PASEP A PARTIR DESTE ANO?
A principal mudança é no limite de renda que dá direito ao abono. Antes, o benefício era pago a quem ganhava até dois salários mínimos no ano-base. A partir de 2026, esse valor passa a ser corrigido pela inflação medida pelo INPC. Para quem trabalhou em 2024, o teto ficou em R$ 2.765,93.

 

As alterações serão feitas de forma gradual. A regra prevê que, até 2035, o abono salarial seja pago apenas a trabalhadores que recebam até um salário mínimo e meio. O valor de referência será reduzido ano a ano até atingir esse patamar.

QUAL É O VALOR DO ABONO SALARIAL?
O trabalhador pode receber até um salário mínimo, dependendo do número de meses trabalhados no ano-base. O cálculo considera 1/12 do salário mínimo vigente no ano do pagamento para cada mês trabalhado, com arredondamento para cima. Frações iguais ou superiores a 15 dias são consideradas como mês cheio.

 

QUEM TRABALHOU O ANO TODO RECEBE QUANTO?
Quem trabalhou durante todos os 12 meses de 2024 receberá o valor integral de um salário mínimo, que será o piso vigente em 2026, de R$ 1.621.

 

COMO SABER SE VOU RECEBER O PIS/PASEP EM 2026?
A consulta pode ser feita pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Gov.br. É necessário ter login com CPF e senha, além de um fator de segurança, como biometria.

 

COMO FAZER A CONSULTA AO PIS/PASEP?

Pela internet

1 - Acesse o site https://servicos.mte.gov.br/spme-v2/#/login e clique em "Entrar com gov.br"

2 - Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Portal Gov.br. Caso não tenha cadastro, é possível fazê-lo neste site

3 - Em seguida, clique em "Abono Salarial"

4 - Na próxima tela, aparecerá a informação se o trabalhador receberá ou não o benefício

 

Pelo aplicativo

1 - No celular ou tablet, baixe o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, caso não o tenha.

2 - Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Portal Gov.br. Caso não tenha cadastro, é possível fazê-lo neste site.

3 - Na tela inicial, clique em "Abono Salarial - Consultar". Caso a opção não apareça, clique no menu da parte de baixo da tela, depois, em "Benefícios e Abono Salarial"

4 - Na próxima página, aparecerá a informação sobre os valores a receber

COMO É FEITO O PAGAMENTO DO PIS?

O PIS é pago pela Caixa Econômica Federal aos trabalhadores da iniciativa privada. Quem tem conta-corrente ou poupança na Caixa recebe o crédito automaticamente. Os demais beneficiários recebem o valor na poupança social digital movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.

Pelo aplicativo, é possível pagar contas, fazer transferências, realizar compras com cartão de débito virtual e pagar na maquininha, sem necessidade de ir a uma agência.

COMO FUNCIONA O PAGAMENTO DO PASEP?

O Pasep é pago pelo Banco do Brasil aos servidores públicos. Clientes do banco recebem o valor diretamente na conta. Quem não tem conta deve procurar uma agência do Banco do Brasil para sacar o benefício, levando documento de identificação com foto.

 

 



Barragem Luiz Vieira superou 55% de sua capacidade

O volume de água do açude Brumado hoje, dia 06/03/2026 é de 54.669.145 m³, cota 1.019,42 m, que equivale a 55,03% de sua capacidade. Com a previsão de chuvas entre os dias 15 e 20 de março, há possibilidade do reservatório ultrapassar 60 milhões de metros cúbicos, o que representaria cerca de 60% de sua capacidade.