De família braseira, carioca, tem-se conhecimento dos cinco filhos de D. Matilde e seu Antunes, na ordem alfabética: Antunes, Edu, Nando, Tunico e Zico. Contudo, na ordem da técnica refinada, Zico em primeiro lugar e os demais entre bons e médios, mas, nenhum ruim, no trato da bola.
De famílias brasileiras, baianas livramentenses, DONA e LOXA tiveram na ordem alfabética: Antônio (Tõe), Carlito, Hugo, Martelo, Nobral e Raimundo. Tõe e Raimundo, um ponto acima dos demais. Raimundo chegou a profissional e Tõe não foi, por vontade própria e não por insuficiência técnica. Condição comprovada quando passou nos testes prestados ao Esporte Clube Bahia. Os demais tratavam, e Hugo ainda trata a bola com muito esmero. João Lima eu não me recordo de tê-lo visto jogar.
ALMERINDA e ZÉ CEARENSE tiveram na ordem alfabética; Buga, Dóia, Jair, Juarez, Lai, Luciê e
Milton.
Na ordem técnica: Buga, alguns pontos acima dos demais, alcançando o profissionalismo e jogando em vários clubes brasileiro e até no exterior, marcando no Brasil, gols históricos contra afamados, incluindo o Flamengo. Quanto aos demais, dos que vi jogarem, Milton foi o melhor. No final da carreira jogava conosco no Time do Rotary em Brumado. E os menos ruins, Juarez e Luciê. Jair e Lai não vi, mas soube que eram bons.
Minha amizade com Tõe fora de campo, teve começo em 1959, início da minha segunda fase em Livramento. E o ele de nossa ligação, foi à época, Godson Lima, catoleense estabelecido no comércio de tecido, amigo de Tõe, que conseguiu levá-lo em uma festa de setembro em Catolés, ressalte-se, a cavalo. Como Tõe não era acostumado com esse tipo de transporte, no retorno teve de receber aplicações de cataplasma de água e alecrim nas partes afetadas pelo atrito com o arreio. Como canta Vanderlei Cardoso, “o piquenique foi bom, mas, a volta é que foi tão triste”. Godson, mais tarde casou-se com minha irmã Ijailta e são pais de quatro filhos: Gilson, Gisélia, Joelma e Robsson, conhecido como Ró da Baby Mel, botafoguense puro-sangue.
Em campo, minha recordação de Tõe, é dolorosa. Durante partida entre América X Ules, Almir Pina, nosso técnico, capitão e jogador, determinou que eu o marcasse no bote, considerando sua habilidade no drible. Nos dois primeiros lances levei a melhor o desramando com o toque na bola. Não obstante a habilidade de Tõe no cabeceio, cabeceava para a frente para trás e para os lados com a mesma eficiência e consequentemente eficaz. No primeiro lance pelo alto levei a melhor, conseguindo alcançar a bola antes dele. No lance seguinte, subimos juntos e mais uma vez alcancei a bola e ele alcançou o meu vômer nasal com o cotovelo, levando-me a nocaute. Ao recobrar os sentidos eu me encontrava junto a uma torneira na beira do campo, com meu primo Antônio Hipólito tentando estancar o sague que jorrava da lesão. Por cautela, Carlito substituiu Tõe e só com a saída dele lourinho que arbitrava o jogo, permitiu o meu retorno. Nesse jogo o time da Ules conseguiu seu melhor resultados em jogos contra o América, empatando em 2 X 2. Nossos gols marcados por Jobernilson e Rubinho e pelo América, Gonçalo e Cosme, ambos da Rua do Areão.
Em 1965, mudei-me para Salvador, hospedando na Pensão Moderna, da livramentense Mária Teixeira. Tõe, ainda servidor da ECOSAMA ou DENOCS, não me lembro, viajava para Salvador hospedando-se, também, na Pensão Moderna. A chegada dele, como de seu Mário do Carmo e Diógenes prefeito de Mundo Novo, era festejada por mim, Valter Vilas Boas e João de Cosmo, porque significava visitas a lanchonetes e degustação de fartos lanches, a custo 0800 e reforço de Tõe para o nosso time de futebol de areia.
Retornando a Livramento em minha terceira fase, consolidamos nossa amizade, e sempre ao cair da tarde o assistia jogar sinuca com Dr. Lourival no Bar de Didié e as vezes participava das mesas de Biriba com ele, Dr. Hildebrando Xavier e Lafaiete Matias.
O nosso último encontro foi nas Caixas Eletrônicas do Bradesco em Livramento, quando colocamos a conversa em dia.
Posteriormente soube de sua estadia em Salvador cuidando da saúde, assistido pelos seus filhos, meus vizinhos no Bairro Costa Azul e sempre que me encontrava com Babá e Carlito eles me davam notícia do seu estado. E às vezes, Mano, seu cunhado que também é meu vizinho, me dava notícia.
Não obstante a proximidade de nossas residências, não tive coragem para visitá-lo. Tinha conhecimento de sua imobilidade numa cama, dependente de outrem para a sua locomoção. Preferia a lembrança do Tõe atleta, desportista, violonista que primava pela elegância física e no trajar.
Nálvia quando criança foi nossa vizinha na Rua de Trás. Já namorando com Tõe, não raro o esperava no Parque vizinho da Gruta e quando eu passava vindo da Praça atual Dom Hélio, indo para casa, ela demonstrando absoluta confiança me pedia par eu avisar a ele na casa de seu Loxa, que ela já o esperava.
Minha estimada amiga, Lúcia, esposa do meu saudoso amigo Dagnaldo, ao elaborar a mensagem do falecimento de sua irmã Nálvia e seu cunhado Tõe, não sábia desse detalhe que descrevi, sobre a história do amor dos dois “que nasceu para ser eterna e os laços irão além da vida”.
Encerro este texto, pedindo ao nosso bondoso Deus, que tenha ao seu lado, Nálvia e Tôe, seus filhos virtuosos na terrar e dê a Babá, Carlito, Cassius, Teonia e Darlene, a resignação e força suficientes para aceitarem e suportarem a dor da perda de seus pais em tão exíguo tempo. E estendo o meu pesar para todos os familiares de Nálvia e Tõe.
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